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Caixão rachado e funeral podem explicar origem de novo surto de ebola

Funeral na RD Congo com caixão danificado entra na investigação da origem do surto de ebola; a variante Bundibugyo pode ter circulado por meses

Epidemia de ebola já causou mais de 100 mortes na República Democrática do Congo
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  • Funeral realizado em fevereiro na província de Ituri, RDC, para o pastor Paluku Makundi Denis, de 44 anos, é investigado como possível origem do surto de Ebola com pelo menos 635 casos confirmados e 127 mortes.
  • O corpo foi transportado de Bunia para Mongbwalu, em cerca de três horas por estradas de terra ruins; a urna ficou rachada durante o trajeto.
  • Familiares chegaram a comprar um novo caixão e transferiram o corpo antes do enterro; o contato direto com os restos mortais passa a ser avaliado pelos investigadores.
  • Mais de oitenta pessoas participaram da cerimônia; nos dias seguintes surgiram sintomas entre moradores e quase cinquenta mortes foram registradas na região.
  • Especialistas avaliam que a variante Bundibugyo pode ter circulado por meses antes de ser identificada; o caso do pastor é o mais antigo sob investigação, levantando a hipótese de superpropagação.

Um funeral realizado em fevereiro na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, está no centro de uma investigação sobre a origem de um surto de Ebola que já confirmou pelo menos 635 casos e 127 mortes. A morte do pastor Paluku Makundi Denis, de 44 anos, ainda não havia sido registrada para exames da doença.

O corpo do pastor foi levado de Bunia para Mongbwalu, em uma viagem de cerca de três horas por estradas de terra em más condições. Durante o trajeto, familiares viajaram no mesmo veículo ao lado do caixão, que chegou danificado e rachado, o que motivou a troca do caixão antes do enterro.

Surto e desdobramentos

Após o enterro, parentes passaram a questionar as condições da cerimônia, e a transferência do corpo passou a ser analisada pelas autoridades devido ao potencial de transmissão. Mais de 80 pessoas participaram das despedidas, conforme relatos de líderes locais.

Nos dias seguintes, moradores apresentaram sintomas compatíveis com Ebola, como febre, vômitos, diarreia e hemorragias. Autoridades locais registraram quase 50 óbitos nas semanas posteriores, com diversos casos entre familiares, o que chamou a atenção de epidemiologistas sobre um possível episódio de superpropagação.

Variante Bundibugyo e contexto da investigação

Especialistas avaliam que a variante Bundibugyo pode ter circulado por meses antes de ser identificada pelas autoridades, em maio. O caso do pastor Makundi Denis é considerado o mais antigo sob investigação, com a hipótese de infecção não detectada na região de Mongbwalu durante um longo período.

Enquanto as investigações prosseguem, familiares do pastor relatam ter enfrentado acusações de moradores que os responsabilizam pela propagação da doença. Dados da Reuters indicam que a família também sofreu o impacto emocional e social da crise.

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