- O Irã disse que o cessar-fogo com os EUA, que entrou em vigor em oito de abril, “praticamente não faz mais sentido” após os bombardeios de madrugada realizados pelos EUA, e anunciou o fechamento “total” do Estreito de Ormuz até nova ordem.
- O Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que os ataques norte-americanos violam a Carta das Nações Unidas e azedam o acordo, elevando a tensão na região.
- Os Estados Unidos realizaram novas ofensivas contra o Irã, com alvos apontados pela defesa iraniana em várias regiões do país, incluindo os arredores de Teerã; ataques também atingiram bases no Kuwait e no Bahrein.
- A Guarda Revolucionária disse ter lançados drones contra bases no Kuwait e no Bahrein, e houve relatos de interceptação de mísseis que teriam como alvo postos próximos à região do Golfo. O Kuwait reabriu o espaço aéreo após a interrupção provocada pelos ataques.
- Três marinheiros indianos, desaparecidos após o ataque a um petroleiro ao largo de Omã, morreram; 24 militares indianos estavam a bordo do Setebello, segundo o governo da Índia.
O Irã informou que o cessar-fogo com os Estados Unidos, vigente desde 8 de abril, perdeu sentido após novos bombardeios norte-americanos na madrugada desta quinta-feira. O governo iraniano anunciou o fechamento total do Estreito de Ormuz até nova ordem, em resposta aos ataques.
O Ministério das Relações Exteriores classificou as ações dos EUA como ilegais e criminosas, afirmando que violam a Carta das Nações Unidas e anulam o acordo que havia sido estabelecido. Mesmo com a escalada, há movimentação para um acordo preliminar, centrado no desbloqueio de recursos iranianos congelados no exterior.
Segundo fontes diplomáticas, o Irã espera a devolução de entre 6 e 12 bilhões de dólares em ativos congelados. Washington, contudo, quer liberar os fundos em parcelas para fins humanitários, sem devolver integralmente os recursos. O diálogo ainda busca um mecanismo de desbloqueio, com negociações intensificadas.
Bombardeios dos EUA
Na madrugada de hoje, os EUA anunciaram novos bombardeios contra o Irã, em resposta a ações anteriores, com reação iraniana a bases militares no Kuwait e no Bahrein. O objetivo considerado pelo Exército americano incluiu instalações de vigilância, sistemas de comunicação e defesa aérea, especialmente no sul do país.
Explosões também foram registradas nas proximidades de Teerã, com áreas como Karaj, Nazarabad e Pishva atingidas. A Guarda Revolucionária informou ter atingido bases no Kuwait e no Bahrein, além de um ataque ao quartel-general da 5ª Frota no Bahrein. Sirenes no Bahrein sinalizaram alerta aéreo.
Em resposta, o Kuwait reabriu seu espaço aéreo, retomando atividades no aeroporto internacional, após ter interrompido operações. O Irã afirma ter disparado 12 mísseis balísticos contra a base de Al-Azrak, na Jordânia, usada por forças americanas. A Jordânia informou que derrubou 20 mísseis iranianos lançados em direção a Azraq.
Repercussões e desdobramentos
O conflito também envolve países vizinhos e mediadores regionais. O Paquistão, mediador na crise, reforçou o apelo por uma solução negociada e chamou a diplomacia de princípio essencial. A ordem de retomada de negociações foi mantida por equipes do Catar, que esteve em Teerã para reduzir divergências entre EUA e Irã.
Entre os movimentos no terreno, o Setebello, um petroleiro de Palau, teve quatro navios afetados desde o início do bloqueio a portos iranianos. Marinheiros indianos a bordo do Setebello foram confirmados como mortos após o ataque reivindicado pelos EUA. Outros navios atingidos mantêm o foco da tensão no estreito que liga o Golfo Pérsico ao Mar de Omã.
Na região, o governo da Índia confirmou a morte de três marinheiros indianos que estavam a bordo do Setebello. O incidente ocorreu após ações de forças dos EUA contra o navio. O Exército americano afirmou ter atingido a casa de máquinas do navio, após desobediência às ordens, conforme a comunicação do Centcom.
Cenário atual
A situação no Oriente Médio permanece volátil, com o Irã sinalizando que manterá o Estreito de Ormuz fechado até nova avaliação. As negociações sobre o desbloqueio de ativos e um acordo preliminar seguem em curso, com as partes buscando equilibrar interesses humanitários, de segurança e geopolítica.
*Com agências*
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