- Após a prisão de Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou Delcy Rodríguez e disse que o petróleo começaria a fluir e que grandes quantias de dinheiro ajudariam o povo venezuelano em breve.
- A produção de petróleo venezuelano aumentou de 908 mil barris por dia no fim de 2025 para 1,03 milhão em abril.
- O câmbio oficial se desvalorizou mais de setenta por cento, enquanto o dólar no mercado paralelo subiu para mais de 730 bolívares, elevando a inflação e pressionando a economia.
- As receitas petrolíferas estariam chegando a contas geridas pelo Tesouro dos Estados Unidos, sob orientação do secretário de Estado, com pouca divulgação pública; em fevereiro houve apenas a divulgação de US$ 500 milhões.
- A gestão do setor parece concentrada na Casa Branca, com opacidade contratual e potenciais acordos privados, em meio a repressão política que persiste no país.
CAMBRIDGE — Após a detenção de Nicolás Maduro, o governo dos EUA sinalizou apoio à nova composição do regime venezuelano, com Delcy Rodríguez à frente segundo Trump. O comunicado chamou a atenção para suposto fluxo de petróleo e pagamentos que, na visão norte-americana, devem beneficiar o povo venezuelano.
Segundo dados oficiais, a produção de petróleo apontou crescimento modesto, de 908 mil para 1,03 milhão de barris por dia entre final de 2025 e abril. A narrativa de Trump contrasta com a leitura de indicadores econômicos, que mostram desvalorização da moeda e inflação em alta.
A diferença entre expectativa oficial e realidade econômica abre espaço para perguntas sobre a real distribuição de receitas. O câmbio oficial caiu mais de 70% desde a destituição de Maduro, enquanto o dólar no mercado paralelo disparou, ampliando a distância em relação à taxa oficial.
O que se sabe sobre as finanças da Venezuela
Não há divulgado um balanço claro sobre o uso das receitas petrolíferas. As informações disponíveis indicam que parte dos recursos estaria sob controle de contas no Tesouro dos EUA, sob orientação de autoridades como o secretário de Estado, Marco Rubio, com pouca prestação de contas pública.
A única exceção ocorreu em fevereiro, quando o Congresso pressionou pela divulgação de US$ 500 milhões repassados à Venezuela. Mesmo assim, não houve divulgação de valores adicionais desde então, alimentando dúvidas sobre o montante real recebido.
O que se observa é a concentração de controle operacional do setor em círculos próximos ao governo americano. O recém-criado Conselho Nacional de Domínio Energético de Trump é citado como figura central na gestão de ativos venezuelanos.
Mudanças legais e riscos de governança
As mudanças recentes nas leis de hidrocarbonetos e mineração venezuelanas foram apresentadas como resultado de envolvimento norte-americano. A partir de licitações menos competitivas, os contratos passaram a depender de acordos negociações diretas, com divulgação restrita.
Essa opacidade, segundo analistas, pode ampliar a captura de recursos por alianças entre elites venezuelanas e parceiros estrangeiros. Rumores apontam favorecimentos a acordos de partilha com associados de Trump, embora a verificação seja limitada pela falta de informações públicas.
Dívida, credores e estratégia externa
A reestruturação da dívida pode seguir caminhos diferentes dos tradicionais procedimentos do FMI. Grupos de credores privados, que adquiriram títulos a preços baixos, costumam resistir a medidas de ajuste com supervisão mais rigorosa.
A leitura externa indica possível afastamento de um caminho controlado pelo FMI, em favor de acordos diretos com credores. A estratégia seria maximizar retornos rápidos, ainda que isso aumente o peso da dívida a médio prazo.
Contexto político e direitos humanos
A ausência de pressões para eleições, restauração institucional ou liberação de opositores marca o momento. Diretores venezuelanos e autoridades norte-americanas passaram a priorizar o acesso a petróleo sobre caminhos democráticos, segundo fontes de observação.
O Foro Penal informa que 473 presos políticos permanecem detidos. Desde a detenção de Maduro, mais de 80 pessoas teriam sido presas por motivos políticos, segundo organizações de direitos humanos.
Perspectivas para o público
A agência afirma que a economia venezuelana enfrenta queda de produção, desvalorização cambial e inflação elevada, impactando o cotidiano de moradores comuns. A combinação de opacidade financeira e interesses estratégicos internacionais aparece como elemento-chave do cenário atual.
Credito de divulgação: Project Syndicate, 2026
Entre na conversa da comunidade