- O papa Leão XIV encerrou a visita à Espanha no porto de Arguineguín, nas Ilhas Canárias, transformando o local em símbolo da crise migratória.
- Em presença de migrantes, socorristas e autoridades, ele denunciou a indiferença internacional diante das mortes na rota atlântica e pediu respostas coordenadas.
- O pontífice lançou um buquê de flores ao mar, em memória das vítimas, em referência ao “porto da vergonha”, que autoridades buscam renomear como “cais da esperança”.
- Ele criticou redes criminosas que exploram migrantes e a passividade de governos, defendendo proteção, acolhimento e cooperação internacional.
- Testemunhos de migrantes presentes mostraram sofrimento e resiliência, com relatos de abusos e traumas, mas também de ajuda recebida ao chegar.
Na etapa final de sua visita à Espanha, o papa Leão XIV transformou o porto de Arguineguín, nas Ilhas Canárias, em palco de protesto humanitário. Durante a cerimônia com migrantes, socorristas e autoridades, o pontífice criticou a indiferença internacional diante das mortes na rota atlântica para a Europa.
O evento ocorreu no local apelidado de porto da vergonha, que autoridades locais buscam renomear como cais da esperança. Em gesto solene, o líder da Igreja Católica jogou um buquê ao mar em memória das vítimas.
Leão XIV ressaltou que não se pode proclamar dignidade humana e aceitar que oceanos sejam cemitérios sem lápides. O papa também criticou redes criminosas que exploram migrantes e a passividade de governos diante da crise.
O pontífice ouviu relatos de migrantes sobreviventes. Uma jovem nigeriana traficada descreveu exploração na chegada à Europa e outros relatos destacaram o risco da travessia e o tempo de espera invisível para muitos.
Djeneba Kane, marfinense que chegou às Ilhas ainda adolescente, grávida, contou medos e dificuldades vivenciadas durante a jornada. Kalili Soukouna, do Mali, explicou ter percorrido quase um mês a pé até alcançar as Canárias.
Apesar do trauma, ambos ressaltaram acolhimento recebido na chegada. Djeneba destacou o apoio recebido e a importância de uma rede de apoio para reconstruir a vida.
A visita de Leão XIV aosCANárias retoma a defesa da migração como eixo do pontificado, inspirado pelo legado de Francisco. O atual papa defende respostas coordenadas, solidárias e eficazes para proteção e integração dos migrantes.
A viagem de Leão XIV à Espanha termina nesta sexta-feira, com uma passagem programada pela ilha de Tenerife, onde está prevista a visita a outro centro de apoio a migrantes.
Responsabilidade compartilhada
O pontífice enfatizou que a crise migratória exige cooperação internacional entre Estados, organizações humanitárias e sociedade civil, sem apontar culpados individuais.
Uma causa de Francisco
A visita retoma o foco migratório herdado por Francisco, que colocou o tema entre eixos centrais do seu pontificado, ainda que não tenha chegado às Canárias durante seu mandato.
Com AFP e RFI
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