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Até 90% dos requerentes de asilo na Irlanda entraram pela Irlanda do Norte

Dados indicam que até noventa por cento dos requerentes de asilo na Irlanda entraram pela fronteira com a Irlanda do Norte, sugerindo exploração do CTA e pressão migratória

The River Fane, which tracks part of the border between Ireland (left) and Northern Ireland (right). Nearly 300 roads cross the common travel area.
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  • Até noventa por cento dos requerentes de proteção internacional na Irlanda teriam entrado pela fronteira terrestre com a Irlanda do Norte nos últimos três anos, segundo dados do governo irlandês.
  • O espaço de viagem comum (CTA) é utilizado em ambas as direções, mas parece mais comum para quem busca asilo na Irlanda do que no Reino Unido.
  • O Home Office do Reino Unido informou ter apreendido mais de novecentos infratores de imigração que exploravam a fronteira aberta no último ano.
  • A DFAT, governo irlandês, informou que cerca de dezesseis mil e seiscentos pessoas buscaram asilo em aeroportos ou portos, com muitos vindo da Grã-Bretanha para a Irlanda.
  • O tema ganhou atenção após um ataque com faca em Belfast, ligado a discussões sobre a CTA, com autoridades trabalhando na cooperação entre Irlanda e Reino Unido para gerir a área.

Dois asteróides: o governo irlandês aponta que até 90% dos requerentes de asilo no país teriam entrado pela fronteira terrestre com a Irlanda do Norte, nos últimos três anos. Dados do Departamento de Assuntos Estrangeiros e Comércio indicam uso amplo da Área de Trânsito Comum (CTA) em ambas as direções, com maior fluxo rumo a Ireland.

As autoridades destacam que o CTA facilita deslocamentos entre as ilhas sem checagens físicas de fronteira, dificultando a verificação de entradas ilegais. O Ministério do Interior do Reino Unido informou ter detido mais de 900 infratores de imigração cruzando a fronteira aberta no último ano.

Dados e interpretações sobre a CTA

Conforme o DFAT em Dublin, 16,6 mil pessoas seek asylum em aeroportos ou portos, com grande parcela vindo do Great Britain a Belfast ou Dublin por via aérea ou marítima. Mesmo sem checagens constantes, autoridades destacam tendência de primeiras solicitações feitas na ilha.

Um ataque com faca em Belfast trouxe novas atenções à CTA nesta semana. O suspeito, Hadi Alodid, de 30 anos, vítima de violência após viagem que começou em Sudão e incluiu Dublin antes de chegar a Belfast, foi indiciado por tentativa de homicídio. As forças de segurança britânicas reforçaram a presença na região.

Reação governamental e desdobramentos

O governo irlandês expressou preocupação com a violência em Belfast e informou cooperação estreita com o governo britânico sobre abusos da CTA. Também há expectativa de retomar acordo de repatriação pós-Brexit, que já enfrentou entraves legais.

O acordo, firmado em 2020, prevê cooperação para retornos entre Irlanda e Reino Unido, mas foi pausado após decisão judicial relacionada a políticas britânicas de terceiros seguros. Autoridades prometem reativar o mecanismo, com redesignação do Reino Unido como país seguro, em consulta com Dublin.

Diálogo institucional

Ministros de ambos os lados mantiveram contatos para fortalecer a coordenação: o ministro de Justiça da Irlanda, Jim O’Callaghan, o ministro britânico Hilary Benn e o chanceler Irlandês, com alinhamento entre governos e autoridades regionais para gerenciar a CTA e os fluxos migratórios.

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