- Propostas de oposição a data centers nos Estados Unidos ganham força, com pesquisas mostrando apoio a moratória e ceticismo sobre o impacto de infraestrutura de AI.
- Alegações de que o governo chinês financia ou dirige a oposição foram questionadas por especialistas, que apontam que existe mais complexidade e que ações domésticas ajudam a moldar o debate.
- A OpenAI divulgou um relatório sobre contas originárias da China que teriam espalhado mensagens anti-data center, mas sem evidência de disseminação criada de maneira coordenada ou com grande impacto.
- Grupos e políticos americanos solicitaram investigações sobre influência estrangeira, citando supostas campanhas lideradas pela China; autoridades da área discutem casos de propaganda externa, sem confirmação de operação em larga escala.
- A Graphika acompanha a movimentação online e aponta que a maior parte da conversa é alimentada por atores domésticos, com poucas exceções de contas com avatares gerados por IA que mencionam empresas de tecnologia.
O debate sobre o financiamento de oposição a data centers nos EUA ganhou força após denúncias de que o governo chinês estaria por trás de campanhas contra a infraestrutura. A OpenAI publicou, na quarta-feira, um relatório apontando contas originárias da China que divulgaram mensagens anti-data centers nas redes sociais.
Especialistas ouvidos pela WIRED contestam a ideia de financiamento direto e apontam que, se houver interferência externa, ela tende a somar-se a tensões já existentes sobre IA e infraestrutura no país.
A oposição local a data centers vem crescendo nos últimos meses. Pesquisas indicam que a maioria dos americanos apoiaria uma moratória ao desenvolvimento de novas instalações, enquanto pesquisas britânicas mostraram apoio menor aos data centers nos EUA em comparação a 14 outros países.
O tema ganhou tração em Washington, com senadores e líderes republicanos solicitando investigações sobre influência estrangeira liderada pela China para moldar a opinião pública. O governo também foi solicitado a esclarecer possíveis campanhas contra o tema.
Alguns desenvolvedores de data centers já defenderam que a narrativa de interferência externa é explorada por atores do setor. Um investidor canadense envolvido em um grande projeto de Utah promoveu a ideia em vídeos, citando estudos que associam cooptação externa à oposição ao empreendimento.
A empresa de análise Graphika acompanha o tema, mapeando atividades em diversas redes sociais. A analista Dina Sadek disse que não há evidências de operações de influência organizadas ligadas a um ator estrangeiro, com exceção de redes que comentam diversos assuntos usando avatares gerados por IA.
O relatório da OpenAI menciona imagens anti-data center geradas por IA utilizadas para Amplificar preocupações sobre preços de energia, sem indicar um desfecho expressivo na disseminação do conteúdo entre as contas sinalizadas.
A reportagem ressalta que o Bitcoin Policy Institute, citando fontes associadas a financiamentos estrangeiros, é uma das bases de críticas à influência chinesa. Autores do estudo afirmam que a imprensa estatal chinesa já veicula campanhas contra data centers nos EUA.
Especialistas de políticas públicas destacam a necessidade de mais evidências para avaliar o papel real de atores estrangeiros. Analistas de Brookings e Stanford ressaltam que frentes de diálogo entre EUA e China podem ocorrer, sem implicar intervenção direta na opinião pública americana.
OpenAI aponta que houve uma tentativa de ampliar preocupações públicas sobre energia e impactos locais, mas não encontrou sinais de explosão de mensagens entre contas identificadas. A avaliação sugere cautela ao interpretar impactos de narrativas transnacionais.
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