- No Peru, o segundo turno é disputado entre Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, e Keiko Fujimori, do Força Popular, com a liderança variando e a divulgação do resultado final prevista para o fim de junho ou início de julho.
- Sánchez defende reabilitar a imagem de Pedro Castillo e propõe uma nova Constituição; Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, representa a direita e não reconheceu derrotas anteriores.
- Analistas apontam que a eleição peruana segue o padrão de disputas entre fujimorismo e adversário, em meio a uma crise de legitimidade com nove presidentes em dez anos e um Congresso fragmentado.
- O país enfrenta preocupações com violência, criminalidade e dúvidas sobre a duração do mandato de cinco anos, com a votação possivelmente movida pela rejeição a candidatos.
- Na Colômbia, o segundo turno ocorre entre Iván Cepeda (esquerda) e Abelardo de La Espriella (direita), marcada para o dia 21, após um primeiro turno em que La Espriella liderou com 43% contra 40% de Cepeda.
A disputa presidencial no Peru segue marcada pela indefinição entre dois candidatos: Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, e Keiko Fujimori, do Força Popular. O segundo turno ainda não abriu definição clara, e a apuração pode se estender até o fim de junho ou início de julho. A disputa ocorre em meio a um Congresso fragmentado e a uma crise de legitimidade que perdura há anos.
Analistas destacam que o Peru vive um ciclo de alternância entre governos de esquerda e direita, com turbulência institucional recente. A votação tende a refletir a rejeição ao status quo e a uma visão de que o próximo presidente pode não concluir o mandato de cinco anos. A governabilidade, segundo especialistas, dependerá do futuro Congresso.
Além disso, o país encara desafios como criminalidade e inflação, associáveis ao que o vencedor herdará no Legislativo. A apuração encontra entraves em zonas rurais e no exterior, onde a contagem pode variar, mantendo a possibilidade de recontagens e questionamentos judiciais.
Cenário político no Peru
Pedro Feliú Ribeiro, da USP, afirma que eleições apertadas são comuns na região. Segundo ele, o Legislativo tende a manter a instabilidade, mesmo com a criação de um Senado. A leitura é de que a vitória de um dos lados pode influenciar a polarização, sem retornar a maioria no Parlamento.
Rafael Antonio Duarte Villa, também da USP, comenta que o resultado parcial indica um país dividido, com influência da polarização na América Latina. Ele aponta que o Peru pode pender mais para o conservador ou para a esquerda, dependendo dos votos apurados.
Pedro Dallari ressalta que o desempenho final depende da votação rural, que favorece Sánchez, e do Exterior, com tendência a favorecer Fujimori. A possibilidade de impugnação judicial é considerada, mas não é descartada a longo prazo, caso haja diferença muito próxima entre os candidatos.
Olhar para a Colômbia
Na Colômbia, o segundo turno também está próximo, entre Iván Cepeda, da esquerda, e Abelardo de La Espriella, da direita. O primeiro turno indicou vantagem de La Espriella, com 43% contra 40% de Cepeda, sinalizando uma disputa acirrada.
Especialistas reforçam que há paralelos entre Peru e Colômbia, com margens apertadas e disputas entre esquerda e direita. Contudo, a Colômbia pode enfrentar maior volatilidade política caso o resultado final seja muito estreito, gerando tensões sociais e institucionalidade mais elevada.
Analistas apontam que, se a Colômbia não conseguir resolver rapidamente a governabilidade, o impacto pode se estender a parceiros regionais. A avaliação é de que o Peru já viveu períodos de destituição e renúncia, o que influencia a percepção de estabilidade na região.
Entre na conversa da comunidade