- EUA e Paraguai estreiam pelo Grupo D da Copa do Mundo, sendo apenas o segundo confronto entre os dois em Copas.
- A relação histórica privilegiou Assunção: apoio político e econômico durante a ditadura de Alfredo Stroessner, iniciada em 1954, em troca de alinhamento anticomunista.
- A crise dos anos setenta, com a extradição de operador de redes de heroína, marcou a guinada da relação para foco maior na guerra às drogas e direitos humanos.
- Após 11 de setembro, a cooperação em segurança regional ganhou intensidade, com foco na Tríplice Fronteira, combate a lavagem de dinheiro, contrabando e financiamento de extremistas.
- Nos últimos anos, o Paraguai aproximou-se dos EUA sob gestões recentes, incluindo acordo para presença de militares americanos e alinhamento na disputa com a China; a partida de hoje ocorre em meio a esse contexto.
A Copa do Mundo começa em Los Angeles com o jogo entre Estados Unidos e Paraguai, pela chave D. A partida coloca frente a frente dois países com laços históricos que vão além do campo. A relação é marcada por episódios de cooperação e de tensões que atravessam décadas.
Do lado paraguaio, o governo assume papel central na cooperação com Washington, especialmente no combate ao crime transnacional. Já os EUA veem o Paraguai como peça-chave na geopolítica regional, entrelaçada a fluxos de droga, segurança e alianças estratégicas.
O confronto de abertura ocorre hoje no Sofi Stadium, Safer Los Angeles. O jogo é o segundo duelo entre as seleções em Copas, o primeiro ocorreu em 1930, quando os EUA venceram por 3 a 0. No estádio, expectativas se equilibram entre táticas e histórico.
Contexto histórico
A relação bilateral remonta a 1861, quando houve atrito diplomático antes do reconhecimento formal. Em 1954, Stroessner chegou ao poder no Paraguai com apoio norte-americano, em meio à Guerra Fria, e Washington forneceu ajuda econômica, treinamento e respaldo diplomático.
Na década de 1970, após pressão dos EUA, Stroessner extraditou um operador de droga apontado pela administração de Nixon, consolidando a cooperação na luta antidrogas. Posteriormente, Carter elevou críticas à ditadura e reduziu apoio militar.
Após 11 de setembro de 2001, o Paraguai passou a ser visto pela lente da segurança nacional dos EUA, com foco na Tríplice Fronteira. A relação se manteve estável, mas com maior ênfase em cooperação em segurança e inteligência.
Nos últimos anos, o Paraguai manteve relações com Taiwan, destacando-se na disputa geopolítica entre EUA e China. Em 2018 houve mudança de embaixada para Jerusalém, sob Trump, retomada depois de Cartes.
Avanços recentes
Com a volta de Donald Trump à presidência, houve reaproximação. A DEA renovou cooperação com o Paraguai, ampliando sistemas de radar e intercâmbio de informações. Um acordo de 2024 autorizou a presença de militares norte-americanos no Paraguai.
O Paraguai também classificou como terroristas organizações nacionais brasileiras, ampliando cooperação com Washington. O país participa de iniciativas de segurança hemisférica, alinhando-se a políticas dos EUA contra o crime transnacional.
Perspectivas para a partida
O zagueiro Gustavo Gómez, capitão paraguaio, disse que o time busca marcação firme sobre os EUA. Ele ressaltou o histórico do confronto direto, apesar de a seleção norte-americana ter vitória histórica na Copa de 1930. A expectativa é de duelo técnico e competitivo.
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