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Fiquei refém por um ano

Mantido em cativeiro por quase um ano em Mogadishu, o repórter enfrentou trauma mental, fuga arriscada e resgate com alto custo familiar

Nigel Brennan: ‘They wanted $3m in ransom money.’
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  • Em dois mil e oito, o fotógrafo australiano e uma jornalista canadense Amanda foram sequestrados em Mogadíscio, dentro de uma zona de milícia; o grupo pediu três milhões de dólares como resgate.
  • O governo australiano não negocia com terroristas; a família arrecadou mais de meio milhão de libras para pagar o resgate.
  • O cativeiro durou cerca de trezentos sessenta e dois dias; as presas enfrentaram condições precárias, tentaram manter a esperança e se comunicavam por bilhetes quando separados dos guardas.
  • Houve uma fuga frustrada, com retorno ao cárcere; após dias, foram libertadas quando conseguiram roupas e um telefone para Amanda ouvir a mãe.
  • Hoje vivem na Tasmânia, com a esposa e dois filhos; mantêm respeito ao islamismo e planejam ler a memória da experiência.

O jornalista de conflito chegou a Mogadíscio em 2008, já ciente dos riscos, mas sem preparação para o trauma mental que viria. Ele via uma capital em ruínas após anos de guerras civis, com centenas de milhares deslocados. No caminho rumo a um campamento de pessoas forçadas a deixar suas casas, acompanhava uma jornalista canadense chamada Amanda.

O veículo entrou em uma zona de milícia. Dois guarda-costas armados desceram do carro, insistindo que não era seguro seguir. Em minutos, homens mascarados cercaram o carro, o porta-malas arrombado e o veículo imobilizado. O grupo foi levado a um complexo, onde o resgate parecia improvável.

A solicitação inicial foi de 3 milhões de dólares. O grupo recebeu a advertência de que, se o pagamento não fosse efetuado em 24 horas, as pessoas seriam executadas. A família no exterior não tinha noção do paradeiro ou do que ocorria, aumentando a tensão e o peso da culpa.

Os dias se transformaram em semanas. Amanda e o jornalista passaram a compartilhar apenas um quarto apertado, com baratas e colchões sujos. Para sobreviver, buscaram aproximação com o captor que falava inglês, na esperança de reduzir o risco de violência.

Ansiedade e mudanças

Ao longo do tempo, foram feitos gestos de aproximação, chegam a converter-se ao islamismo para criar terreno comum com os guardas. A comunicação passou a ocorrer por bilhetes na casa de banho, já que não podiam dividir o espaço. Eles praticavam ioga, liam o Alcorão e o jornalista começou a aprender árabe.

A cada mês, a esperança cedia lugar ao desgaste. O repórter manteve contatos com a polícia australiana, que informou não haver auxílio de resgate oficial. Telefonemas rápidos indicavam que a família reunia recursos, ainda que com grande dificuldade.

O momento de fuga e a libertação

Durante o cárcere, o jornalista finalizou uma tentativa de escape ao abrir passagem pela parede, levando Amanda junto. Os dois fugiram por um curto intervalo de silêncio até alcançarem uma mesquita próxima, mas foram recapturados por homens armados. A libertação só ocorreu muito tempo depois, quando alguém cortou as fechaduras e entregou roupas.

Eles foram colocados em carros diferentes, até que Amanda recebeu um telefonema da mãe. O resgate veio com a notícia de que a família havia pago o resgate, apesar de ter liquidado bens para financiar a operação. Ao retornar ao lar, a sensação de alívio foi acompanhada de culpa pela gravidade do que aconteceu.

Hoje, o jornalista vive na Tasmânia com a esposa, Alanna, e os dois filhos, Rumi, de 10 anos, e Omar, de 5. Os meninos foram batizados com nomes ligados à poesia muçulmana, mantendo um profundo respeito pela fé islâmica como instrumento de paz.

A experiência moldou a visão de mundo dele: a prioridade é a família e a valorização dos vínculos. O relato foi feito à jornalista Jacqui Paterson e permanece aberto para quem tenha histórias para compartilhar.

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