- Papa Leão XIV pediu aos líderes mundiais que tratem migrantes com mais humanidade durante a visita às Ilhas Canárias, em Espanha, afirmando que a dignidade humana não tem passaporte.
- Em Arguineguín, o pope ressaltou que não se pode “contar os mortos” e alertou sobre a indiferença diante do sofrimento dos migrantes.
- As Ilhas Canárias receberam 46.843 migrantes irregulares em 2024, frente a menos de 1.000 em 2015.
- Segundo a ONG Caminando Fronteras, mais de 3.000 pessoas morreram em 2025 tentando chegar às ilhas.
- No último dia da visita, reforçou que “todos nós somos migrantes” e pediu integração, aprendizado da língua local e respeito às leis, além de alertar sobre o “naufrágio silencioso” após a chegada e a necessidade de combater traficantes.
O Papa Leão 14 pediu nesta quinta-feira, 11, que líderes mundiais tratem migrantes com mais humanidade durante uma visita às Ilhas Canárias, na Espanha. Em discurso durante o ato, ele alertou que a história condenará quem permitir que pessoas fugindo de guerra ou pobreza enfrentem sofrimento. O pontífice também afirmou que a dignidade humana não tem passaporte e não perde valor ao cruzar fronteiras.
Em Arguinequín, o Papa reforçou que não se pode tolerar a morte de migrantes e destacou o memorial aos que se perderam no mar. Ele fez o chamado durante o que chamou de apelo à consciência aos políticos europeus e à comunidade internacional, ao lado de milhares de pessoas reunidas no local. A mensagem enfatizou proteção da vida e combate à indiferença.
Contexto e cenário migratório
As Ilhas Canárias, ponto estratégico de migração para a Europa, recebem rotineiramente embarcações de baixa capacidade que atravessam o Atlântico. Em 2024, o arquipélago recebeu um recorde de 46.843 migrantes irregulares, segundo dados oficiais. Em 2025, a Organização Caminando Fronteras aponta mais de 3.000 mortes associadas ao esforço de chegar às Canárias.
Durante a viagem de uma semana pela Espanha, o líder católico visitou comunidades locais e organizações que trabalham com migrantes. Em Barcelona, o Papa assinou inaugurou uma torre na Sagrada Família, ocasião anterior a encontros que destacaram a integração.
Integração e participação
O Papa afirmou que a integração é uma via de mão dupla e pediu que novos residentes aprendam a língua, respeitem leis e costumes, e participem da vida comunitária. Em apoio aos migrantes, ele ressaltou a necessidade de políticas que assegurem voz, trabalho e proteção contra exploração, especialmente para quem chega sem redes.
Em Arguineguín, o Pontífice alertou sobre um “naufrágio silencioso” após a chegada, quando muitos ficam sem suporte adequado. Ele exortou organizações, governos e sociedade a não abandonar quem procura acolhimento, enfatizando a responsabilidade compartilhada na proteção de vidas.
Chamado final
Ao encerrar a agenda no arquipélago, o líder religioso reiterou a urgência de ampliar ajuda aos migrantes e de endurecer ações contra traficantes. A previsão é de uma missa ao ar livre no porto de Santa Cruz de Tenerife, diante de milhares de fiéis, para encerrar a viagem com foco na dignidade humana e na proteção de quem busca refúgio.
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