- Estudo de Haifeng Huang, da Universidade Estadual de Ohio, analisa a propaganda dos EUA na China via Weibo e WeChat em 2018 e 2021.
- Em ambos momentos, mensagens sobre eleições e liberdade de imprensa não alteraram a opinião dos chineses sobre os EUA, nem após a invasão do Capitólio em janeiro de 2021.
- O estudo conclui que a diplomacia pública age mais como escudo de reputação do que como instrumento persuasivo para converter audiências comuns.
- Observa ainda que o efeito é limitado quando a China é consolidada como potência orgulhosa, independentemente de a mensagem vir da embaixada ou de fontes anônimas.
- O panorama atual sugere que a influência se dá mais pela mensagem da China sobre seu modelo do que pelo discurso americano, com o Brasil adotando uma postura pragmática ao buscar contatos e investimentos.
O estudo conduzido por Haifeng Huang, da Universidade Estadual de Ohio, avaliou se a propaganda democrática da embaixada dos EUA na China altera a percepção do público chinês. Dois experimentos foram realizados, em 2018 e em janeiro de 2021, logo após a invasão do Capitólio.
Os resultados indicam que mensagens sobre eleições e liberdade de imprensa não mudaram a opinião sobre os EUA. Em 2021, mesmo com a imagem americana abalada pela pandemia e pelos eventos de 6 de janeiro, as mesmas mensagens tiveram efeito similar.
Natureza do impacto
A conclusão aponta que a diplomacia pública funciona mais como escudo do que como espada. Ela mantém credibilidade diante de ataques reputacionais, mas não converte audiências em tempos normais. O estudo destaca resistência de um país orgulhoso.
Implicações estratégicas
O trabalho sugere que Pequim não perde audiência por culpa de forças externas, pois nem a embaixada sustenta mudança de visão. Ao mesmo tempo, Washington erra ao confiar apenas em valores para persuadir países em ascensão.
Contexto regional e lições
Para a América Latina, o relatório cita uma percepção de que mensagens pró-democracia soam menos mobilizadoras que narrativas nacionais. A região produz exemplos onde caminhos econômicos e tecnológicos pesam mais que lições institucionais.
Conclusões do estudo
Pesquisas recentes indicam que a mensagem do modelo chinês pode ter maior apelo global do que discursos sobre o sistema americano. A narrativa de Beijing é vista como mais persuasiva em diversos contextos internacionais.
Desdobramentos políticos
O artigo observa que decisões no governo americano, como alterações na Voz da América e no apoio externo, afetam a capacidade de comunicação externa. O texto destaca a relação entre robustez democrática e eficácia da mensagem externa.
Relevância para o debate atual
O estudo reforça que a eficácia da diplomacia pública depende de credibilidade interna e de uma estratégia coerente de transmissão de mensagens. Sem esses elementos, discursos sobre valores perdem força em cenários de competição geopolítica.
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