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Marrocos, rival do Brasil na Copa, abriga usina solar gigante no deserto

Marrocos aposta no complexo Noor, usina solar concentrada de 580 MW, mas enfrenta gargalo de transmissão, custo para o entorno e dependência de fósseis para a demanda

O Complexo Noor virou símbolo da aposta marroquina em renováveis e da capacidade técnica do país de executar projetos de grande escala (Solar/Reprodução)
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  • O Noor, em Ouarzazate, é um complexo solar de energia concentrada com 580 MW de capacidade, quase 500 hectares, cerca de 2 milhões de espelhos e uma torre de 247 metros; utiliza armazenamento térmico para gerar eletricidade após o pôr do sol.
  • Construído entre 2016 e 2018, o projeto custou cerca de US$ 9 bilhões e pode abastecer cerca de 1 milhão de residências.
  • Marrocos pretende ter 52% da eletricidade de fontes renováveis até 2030 e 70% até 2050, além de eliminar o carvão até 2040; Noor é símbolo dessa estratégia.
  • Em 2023, a participação renovável instalada era suficiente para 46% da eletricidade, mas na prática gerou pouco mais da metade disso; fósseis respondem por cerca de 80% da geração e o país importa grande parte de carvão, petróleo e gás.
  • O investimento em megaprojetos esbarra em gargalos de rede e custo para moradores locais, com energia ainda cara em Ouarzazate e críticas sobre impactos ambientais e uso de água para manter a usina.

O Marrocos, adversário do Brasil na Copa do Mundo de 2026, enfrenta a tarefa de transformar um megaprojeto solar em benefício para a população. O complexo Noor, próximo a Ouarzazate, simboliza a aposta do país em renováveis.

Noor usa energia solar concentrada: cerca de 2 milhões de espelhos refletem a luz para uma torre de 247 metros, aquecendo sal a 600°C para vapor. O sistema de armazenamento permite geração de eletricidade após o pôr do sol. Construído entre 2016 e 2018, custou cerca de US$ 9 bilhões.

O objetivo é abastecer 1 milhão de residências, com a capacidade total de 580 MW. O complexo fica no planalto próximo ao Saara, a 200 km ao sudeste de Marrakesh, entre as Montanhas do Atlas.

Noor: símbolo e contradição

O projeto é visto como evidência da capacidade marroquina de realizar grandes obras com apoio de bancos de desenvolvimento e financiamento climático. Metas nacionais apontam para 52% da eletricidade via renováveis até 2030 e 70% até 2050, com fim da geração a carvão até 2040.

Entretanto, o desempenho atual revela desafios. Em 2023, a renovável instalada gerou pouco mais da metade da capacidade prevista, com fósseis respondendo por cerca de 80% da geração. O país ainda importa grande parte de carvão, petróleo e gás.

Infraestrutura e custo para a população

A rede elétrica marroquina enfrenta gargalos para integrar renováveis ao consumo diário, exigindo investimentos em transmissão e armazenamento. Em Ouarzazate, a eletricidade continua cara: média de US$ 110 mensais, sobre uma renda média de US$ 550.

Além disso, moradores Questionam impactos locais: terras de pastagem foram desapropriadas, com pouca consulta e aumento de temperaturas nas aldeias vizinhas. O consumo de água do Noor equivale a 1.200 piscinas olímpicas para limpeza e manutenção.

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