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Professora transforma carro em sala de aula durante fila de gasolina em La Paz

Professora transforma carro em sala de aula em La Paz, em fila de seis dias por gasolina, durante protestos que afetam abastecimento na Bolívia

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  • Em La Paz, a professora Gabriela Garcia passa a sexta noite na fila por gasolina e faz as aulas dentro do carro, conectando o laptop e mantendo contato com os alunos; paga dois bolivianos por hora para carregar aparelhos.
  • As aulas nas regiões afetadas foram transferidas para o formato virtual desde o mês anterior, devido à crise de abastecimento.
  • Protestos contra o presidente Rodrigo Paz, que já dura mais de quarenta dias, resultam em bloqueios de estradas e desabastecimento de produtos básicos.
  • A gasolina de má qualidade importada da Argentina, Chile e Paraguai causou danos a milhares de veículos; quase sessenta e sete mil motoristas abriram reclamações e quase vinte e oito mil receberam indenizações de cerca de 86 milhões de bolivianos.
  • O presidente Paz assinou uma lei que cria regras para decretar estado de exceção, com possível uso das Forças Armadas; o Congresso tem até setenta e duas horas para ratificar, e ele afirmou que governará até 2030.

Às 7h de quarta-feira, a professora Gabriela Garcia, 43 anos, já preparava as imagens de uma nova aula dentro do carro. Em La Paz, ela enfrenta a sexta noite na fila por gasolina e ministra aulas a partir do veículo, usando um filtro na tela para não revelar o ambiente.

Garcia passa o dia em Sopocachi, uma área da classe média de La Paz, pagando por cada hora de recarga de equipamentos. Entre tarefas, toma banho com itens básicos guardados na bolsa e improvisa um espaço confortável dentro do carro.

Ao anoitecer, a professora troca de roupas na traseira do veículo para continuar em segurança, mantendo contato com alunos e colegas, enquanto a gasolina se torna o principal desafio diário. Ela relata sentir-se protegida pela rede de motoristas.

A fila de abastecimento acompanha o acirramento das manifestações que têm ocorrido há mais de 40 dias. Desde o início do mandato, o presidente Rodrigo Paz enfrentou protestos por reformas e críticas a medidas econômicas e de combustível.

Essa situação ocorre em meio a bloqueios de estradas que afetam o abastecimento de itens básicos em várias cidades. A crise ampliou-se com a suspensão de subsídios a combustíveis, elevando o preço da gasolina.

Na origem da indignação, a decisão de retirar subsídios e a importação de gasolina de baixa qualidade, conhecida como gasolina lixo, geraram queixas de motoristas e prejuízos a frotas. Cerca de 67 mil motoristas registraram reclamações, com valores elevados pagos a indenizações.

Como resposta aos protestos, o governo criou regras para eventual estado de exceção, autorizando atuação das Forças Armadas. A medida depende de decreto de emergência e aprovação do Congresso, com prazo de até 72 horas para ratificação.

O presidente Paz afirmou, em ato ligado à assinatura da lei, que o governo manterá o mandato até 2030, sem abdicação. A fala ocorreu após várias mudanças ministeriais e controvérsias políticas associadas aos protestos e à crise de abastecimento.

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