- A África do Sul perdeu por duas a zero na estreia da Copa do Mundo, abrindo debate sobre como a política influencia o torneio.
- Antes do jogo, torcedores africanos fizeram campanhas nas redes sociais apoiando o México, incluindo vídeos com camisas mexicanas e mapas do continente em cores do país.
- Grupos antiimigração atuam na África do Sul desde maio, com protestos em várias províncias e ataques a migrantes; responsáveis por mortes, incluindo cinco moçambicanos em Mossel Bay, em vinte e nove de maio.
- Movimentos como Operation Dudula e March and March são acusados de incentivar violência e impedir acesso de migrantes a serviços públicos; há um ultimato para migrantes ilegais deixarem o país até o trinta de junho.
- O presidente Cyril Ramaphosa condenou ataques xenófobos, prometeu endurecer a fiscalização de fronteiras e afirmou que não se pode imputar todos os problemas aos migrantes.
A derrota da África do Sul na abertura da Copa do Mundo mobilizou torcedores africanos e chamou atenção para tensões migratórias. O Bafana Bafana perdeu por 2 a 0 para o México, na quinta-feira, em show de apoio ao time latino. A hashtag do momento era a união africana em torno do México.
Antes do jogo, vídeos de torcedores de várias nacionalidades já circulavam nas redes. Nigerianos, ganenes, angolanos e outros exibiam camisas mexicanas, cartazes e fantasias, insinuando que a torcida se posicionava pela vitória mexicana.
A mobilização não foi apenas esportiva. Grupos africanos usaram o apoio ao México para denunciar a xenofobia no sul do continente, especialmente contra migrantes de países vizinhos.
Movimentação anti-imigração na África do Sul
Desde maio, protestos de movimentos anti-imigração ganharam as províncias sul-africanas, com ataques e mortes relatados. Em Mossel Bay, cinco moçambicanos foram mortos em 29 de maio, o episódio mais grave até aqui.
O episódio levou centenas de moçambicanos a retornar ao país, com apoio de autoridades, e estimulou promessas de repatriação para outros cidadãos da região. Organizações como Operation Dudula e March and March foram alvo de acusações de incentivo à violência.
Grupos defendem que a medida visa cumprir leis migratórias, negando xenofobia. A campanha inclui um prazo de até 30 de junho para migrantes irregulares deixarem o país, sob risco de paralisação nacional.
A preocupação internacional envolve também países vizinhos, como Moçambique, Gana, Nigéria, Maláui e Zimbábue, que têm promovido saídas voluntárias de moradores. A acusação comum é de que migrantes pressionam o mercado de trabalho local.
A Human Rights Watch aponta que instituições civis descrevem a expansão desses grupos como parte de uma crise econômica marcada pela piora de condições desde 2024. Migrantes são citados como alvos de boatos e ataques.
O presidente Cyril Ramaphosa afirmou que ataques xenófobos devem cessar e prometeu reforçar a fiscalização de fronteiras. Ele também ressaltou que problemas sociais não devem ser atribuídos apenas aos migrantes.
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