- Em dois mil e vinte e cinco foram registrados oito conflitos entre Estados, o maior número desde a Segunda Guerra, com cerca de duzentos e quarenta e cinco mil mortes diretas no ano.
- O massacre em El Fasher, Sudão, é estimado em quase sessenta mil mortos em uma semana, mas teve pouca visibilidade no debate internacional.
- A África respondeu por cerca de vinte e nove dos sessenta e cinco conflitos entre Estados, a maior concentração regional; o Oriente Médio registrou o maior número desde quarenta e seis e a Ásia, o nível mais alto desde mil novecentos noventa e quatro.
- O Haiti teve mortes em conflitos que passaram de aproximadamente duzentas para mais de mil e duzentas em um único ano, com pouca cobertura global.
- O estudo aponta que a atenção internacional segue uma hierarquia ligada a fatores raciais, mesmo com a globalização econômica e o aumento de tensões ligadas a recursos, nacionalismos e indústria armamentista.
Em 2025, o mundo registrou oito conflitos entre Estados, o maior número desde a Segunda Guerra. O levantamento aponta 245 mil mortes diretas nesse ano, sem contar mortes por falta de tratamento médico em razão dos ataques.
O Sudão aparece entre os casos mais marcados pela violência, com o massacre em El Fasher estimando quase 60 mil mortos em uma única semana de outubro de 2025. O episódio recebeu pouca atenção internacional em comparação a outros conflitos.
O estudo do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo (Prio) mostra que a África concentrou 29 dos 65 conflitos entre Estados, mais do que qualquer outra região. O Oriente Médio atingiu o maior nível desde 1946; a Ásia, desde 1994.
A reportagem ressalta que a imprensa e a comunidade internacional costumam dar menos atenção a determinados conflitos, mesmo quando a violência é extensa. O Haiti, por exemplo, teve mortes em conflito crescendo de cerca de 200 para mais de 1.200.
A análise lembra ainda a obra Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon, para discutir como o racismo influencia a percepção de cada crise e o tratamento dado a diferentes populações.
Entre os fatores que ajudam a moldar a resposta global aos conflitos, o estudo cita interesses econômicos, competição por recursos e a ampliação da indústria armamentista, além de tensões nacionais associadas a narrativas de segurança.
Conjuntamente, o levantamento aponta que a globalização não elimina desigualdades nem hierarquias. Grupos com maior poder econômico tendem a receber mais atenção e apoio internacional.
O relatório sugere que a explicação para a discrepância na cobertura está relacionada a padrões de valor atribuído a diferentes vidas, reforçando uma visão assimétrica do que é considerado uma crise grave.
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