- A cúpula do G7 começa em Évian-les-Bains, na França, a partir de segunda-feira, 15 de junho, com Lula como convidado.
- EUA e Irã estavam próximos de assinar acordo para estender cessar-fogo e reabrir o estreito de Hormuz, segundo o Paquistão, ainda que o conflito no Oriente Médio continue gerando tensões.
- A crise do multilateralismo persiste: a guerra na Ucrânia não tem solução, tensões comerciais com os EUA seguem, e o problema é central para as discussões do G7.
- O encontro terá sessões sobre Ucrânia e Oriente Médio para membros plenos, com participação de convidados como Egito, Catar, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Brasil; haverá ainda debate sobre desequilíbrios econômicos globais.
- O governo brasileiro não solicitou reunião com Donald Trump; o Brasil deve defender o multilateralismo e reformas internacionais, enquanto a cúpula prevê sete declarações separadas, sem um comunicado final conjunto.
O G7 inicia sua 52ª cúpula em Évian-les-Bains, nos Alpes franceses, com a França na presidência e o objetivo de discutir questões globais, entre elas Ucrânia, Oriente Médio e desequilíbrios econômicos. O evento acontece entre 15 e 17 de junho, reunindo as sete maiores economias mais a União Europeia.
A agenda começa sob a ameaça de avanços no Oriente Médio, após o Paquistão anunciar que EUA e Irã poderiam assinar um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o estreito de Hormuz. O desenvolvimento, se confirmado, não resolve a crise de multilateralismo que permeia a cúpula.
A Ucrânia permanece sem solução clara para o conflito, com trocas de informações sobre financiamento e defesa aérea. Kiev busca, entre outros pontos, compromisso financeiro plurianual dos aliados e maior pressão sobre sanções ao petróleo russo, para sustentar operações no front.
Entre os motivos de tensão, Donald Trump figura como incógnita para o encontro. A presença dele divide a participação e o andamento das discussões, com a França buscando manter a cúpula produtiva apesar do cenário pessoal do ex-presidente.
Lula participa como convidado brasileiro, viajando a Genebra neste domingo (14) e seguindo para Évian. O projeto brasileiro envolve defesa do multilateralismo e reformas institucionais, com ênfase em ONU e Bretton Woods, sem abrir espaço para encontro direto com Trump.
Para o Brasil, a participação envolve também encontros bilaterais previstos, incluindo com Macron e, possibilidade, com líderes de Japão, Egito e União Europeia. O objetivo é alinhar posições sobre exportações de carne e sobre o calendário de diálogo com blocos econômicos.
Nos bastidores, a logística de segurança ficou sob responsabilidade da polícia francesa e de autoridades suíças, com controles temporários de fronteira na região entre 10 e 19 de junho. A cidade de Évian está praticamente isolada para o evento.
O pano de fundo permanece a guerra na Ucrânia, com avanços ucranianos em ataques de drones e a necessidade de fortalecer defesas aéreas. Kiel realiza estimativas de financiamento externo para 2026-27, estimando cerca de 95 bilhões de dólares para Kiev, ainda sem origem confirmada.
O bloco enfrenta a potencial reabertura do Estreito de Hormuz, o que pode amenizar efeitos de 100 dias de bloqueio, mas não elimina o impacto econômico global. O Banco Mundial já revisou a previsão de crescimento global para 2,5% neste ano.
A reunião não terá um comunicado final único. Em vez disso, deverão ser divulgadas sete declarações separadas, correspondentes a cada sessão, um modelo adotado em 2019 na França durante a presença de Trump.
Para o Brasil, a participação no G7 aponta para a defesa do multilateralismo, reforma do Conselho de Segurança da ONU e maior representação do Sul Global em instituições de Bretton Woods. As propostas chegam num momento em que o G7 enfrenta questionamentos sobre relevância internacional.
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