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Sobrevivência milagrosa de guia no Everest reacende questionamentos sobre turismo

Sobrevivência de guia no Everest levanta dúvidas sobre segurança, responsabilidade e impactos da indústria de turismo de alta altitude

Dawa Sherpa ainda recebe tratamento em um hospital em Katmandu, capital do Nepal
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  • Hillary Dawa Sherpa, 57 anos, sobrevivente de uma expedição ao Everest, foi encontrado com ferimentos pelo frio e exaustão e levado de helicóptero para um hospital em Katmandu; a família iniciou rituais fúnebres antes do retorno da notícia.
  • O caso levanta questões sobre a função de guias no turismo de alta altitude: Dawa, contratado como cozinheiro de acampamento, acabou guiando clientes até o cume do Monte Everest, o que gerou dúvidas sobre a responsabilidade da empresa organizadora.
  • A busca começou três dias após o desaparecimento; clientes pagaram alto valor pela expedição e acusam a empresa HTA de negligência e má organização.
  • HTA afirma que seguiu protocolos e que as más condições climáticas retardaram o resgate; a família de Dawa e outros envolvidos questionam a condução da operação.
  • Especialistas destacam que cozinheiros de acampamento costumam ter preparo limitado para subir a montanha, e o caso reacende o debate sobre riscos e fiscalização na indústria de turismo de alta altitude no Nepal.

O caso envolvendo Hillary Dawa Sherpa, guia nepalês, ganhou notoriedade após sua sobrevivência milagrosa no Everest, em condições extremas. Ele havia sumido durante a descida de uma expedição que contava com dois clientes, um britânico e um polonês, acompanhados por um segundo guia. A busca só foi iniciada dias depois do desaparecimento.

Dawa Sherpa havia sido contratado como cozinheiro de acampamento, mas acabou atuando como guia na fase final da subida até o topo do Everest, a 8.849 metros. A expedição envolvia o grupo Thrall (Britânico), Chmielewski (Polonês) e Pasang Kaji Sherpa. O incidente ocorreu na rota sul, entre os acampamentos 3 e 4.

A polícia do Nepal e o Departamento de Turismo investigam as circunstâncias, após a família do guia apresentar queixa contra a empresa Himalayan Traverse Adventure (HTA). A HTA afirma ter seguido protocolos e culpa as más condições climáticas pela demora no resgate.

Desdobramentos da história

Em relatos, Thrall descreveu que Dawa parou para descansar acima do Acampamento 3, e que a decisão de prosseguir foi tomada pelo grupo com o objetivo de poupar oxigênio. Ele afirmou que, sem reservas de oxigênio, optou por avançar para não comprometer os demais membros da expedição.

Chmielewski acusou a HTA de negligência e afirmou que Dawa foi deixado para trás. Segundo ele, a empresa foi avisada do desaparecimento de Dawa em 30/5, mas as buscas só começaram dias depois. O polonês também relatou que a empresa agiu de forma improvisada.

A HTA sustenta que o tempo ruim atrasou o resgate e que não houve intenção de deixar o guia para trás. O fundador da HTA afirmou que, com neve persistente, não era possível enviar helicóptero imediatamente, e que a logística envolvida dificultou as operações de busca.

Contexto e impacto

Especialistas ressaltam que cozinheiros de acampamento raramente são preparados para escalar até o cume. A prática de designar guias a funções não previstas aumenta a complexidade e os riscos. O caso levanta questões sobre a conformidade de pacotes de turismo de alta altitude e a proteção aos guias locais.

A família de Dawa procura responsabilização dos responsáveis e aguarda desdobramentos do inquérito. A comunidade de montanhistas acompanha o desenrolar do caso, que pode influenciar futuras avaliações de segurança e licenciamento de expedições no Everest.

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