- Negociações entre Estados Unidos e Irã enfrentam entraves, com o limiar de tolerância de Israel em relação ao programa nuclear iraniano como ponto central, segundo o professor Augusto Teixeira (CNN Brasil).
- Israel é visto como interlocutor relevante no processo, o que complica a relação entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump, especialmente sobre Hezbollah e o programa nuclear.
- Os temas centrais em discussão são o programa nuclear iraniano, o fim do bloqueio ao Estreito de Ormuz e o alívio financeiro com o retorno de fundos congelados; países como Catar, Turquia e Paquistão apoiam essas discussões.
- O conflito entre Israel e o Hezbollah, no Líbano, é visto como parte do eixo de resistência iraniano e influencia as negociações, com EUA e Israel apresentando posições diferentes sobre tolerância.
- Internamente, a Guarda Revolucionária ganha espaço e tende a adotar postura mais radical; o Irã acredita que pode resistir por mais tempo que os Estados Unidos, o que aumenta o risco de nova escalada caso as negociações não avancem.
A tolerância de Israel frente ao programa nuclear do Irã é apontada como entrave central nas negociações entre EUA e Irã. A avaliação é do professor Augusto Teixeira, em entrevista à CNN Brasil no domingo (14). Ele destaca que o papel de Israel envolve segurança regional e condiciona caminhos diplomáticos.
Segundo o professor, qualquer mesa de negociação não envolve apenas Washington e Teerã. Israel funciona como interlocutor relevante, com interesses estratégicos que afetam o andamento das tratativas e a relação entre líderes de ambos os lados.
Entre os temas discutidos, Teixeira cita três pontos-chave: o programa nuclear do Irã, o fim do bloqueio ao Estreito de Ormuz e o alívio financeiro com a retirada de sanções. Países como Catar, Turquia e Paquistão aparecem como apoiadores.
Pontos centrais da negociação
A prática regulatória do programa nuclear é descrita como um vácuo regulatório em aberto desde a saída dos EUA do JCPOA. A demanda iraniana por normalizar o comércio e reduzir sanções também compõe a agenda negociadora.
Outro tema destacado é a exigência do Irã para suspensão de bloqueios marítimos e a recuperação de recursos congelados. A viabilidade de um acordo, segundo Teixeira, depende de como esses pontos são colocados pelos atores regionais.
Papel regional e atores envolvidos
O Paquistão é citado como ator estratégico, cujo apoio é considerado relevante para o avanço das tratativas. Já o Irã é visto como reticente, adotando posição firme sobre assuntos que julga cruciais para sua segurança e influência regional.
A diferença entre posições de EUA e Israel é enfatizada pelo especialista. Enquanto Washington pode aceitar compromissos com o programa nuclear, Tel Aviv vê a questão como existência crucial, o que eleva o nível de exigência na negociação.
Contexto interno do Irã
Teixeira aponta que o resultado depende de quem comanda o país. Grupos pragmáticos teriam mais interesse em encerrar conflitos, mas a Guarda Revolucionária ganha espaço político e tende a adotar postura mais rígida.
A ausência pública do Aiatolá também é citada como fator de instabilidade interna. O Irã acredita ter capacidade de resistência maior do que os EUA, que enfrentam ciclos eleitorais que podem influenciar as decisões.
Risco de nova escalada regional
O especialista alerta que, mesmo com cessar-fogo, o Irã tem se reabastecido militarmente e se reestruturado. Em caso de nova flare-up entre EUA e Israel, o Irã estaria menos degradado do que no início do cessar-fogo.
Além disso, o Irã manteria capacidade de afetar infraestruturas críticas na região, como sistemas de dessalinização, e de impactar bases militares americanas. O cenário é considerado complexo para todos os envolvidos.
Entre na conversa da comunidade