- O ex-chanceler Celso Lafer afirma que não há perspectiva de paz duradoura no Oriente Médio devido à capacidade de resistência de atores regionais e à continuidade dos conflitos.
- Sobre o Irã, ele destaca resistência acima do esperado e uso do Estreito de Ormuz como instrumento de poder de alcance global.
- Em Gaza, Lafer diz que a ofensiva contra o Hamas não destruiu o grupo e que o conflito tende a se manter com ciclos de cessar-fogo instáveis.
- O ex-chanceler aponta possível cumplicidade de o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com o Hamas para não permitir o crescimento da Autoridade Palestina na região.
- Também ressalta o Hezbollah como ator relevante, com influência desestabilizadora sobre o Líbano e impacto no norte de Israel, dificultando normalização política no país.
O ex-chanceler Celso Lafer afirma que não há perspectiva de paz duradoura no Oriente Médio, em razão da capacidade de resistência de atores regionais e da dinâmica de conflitos que tende a se prolongar. Em participação no WW Especial da CNN Brasil, ele avaliou o cenário como de tréguas temporárias, não de solução ampla.
Lafer destacou o Irã como parte central da resistência regional, afirmando que o país demonstrou resiliência acima do esperado e expandiu sua influência global. O ex-chanceler citou o Estreito de Ormuz como instrumento de poder com impacto econômico mundial, não apenas regional.
Irã e Ormuz
Segundo ele, o Irã percebeu Ormuz como uma alavanca de poder com alcance global, o que complica caminhos para uma solução rápida no Oriente Médio. A avaliação aponta para uma posição interna fortalecida no Irã diante do conflito, o que dificulta capitulações de curto prazo.
Gaza, Hamas e a política israelense
Sobre Gaza, Lafer afirmou que a ofensiva de Israel não resultou no enfraquecimento definitivo do Hamas. A destruição não elimina o grupo, segundo o ex-chanceler, que também associou a situação a dinâmicas políticas internas de Israel.
Hezbollah e o Líbano
O analista observou que o Hezbollah permanece como ator relevante, com atuação no sul do Líbano e influência sobre a fronteira com Israel. O grupo, apoiado pelo Irã, é entendido como força que pode dificultar normalização política no Líbano.
Impacto na região
Lafer destacou que o Hezbollah atinge áreas do norte de Israel, incluindo instituições como a Universidade de Haifa, afetando a vida cotidiana na região. O comentário reforça a percepção de risco contínuo de desestabilização regional.
Cenário de longo prazo
Ao concluir, o ex-chanceler não vislumbra condições para capitulações entre os protagonistas, apontando para um ciclo de tréguas instáveis que suspendem, mas não resolvem, o conflito. O resultado reputa-se como um arranjo contínuo de cessar-fogo de duração variável.
WW Especial
O programa é apresentado por William Waack e vai ao ar aos domingos, às 22h, na CNN Brasil. A edição oferece ainda conteúdos exclusivos, com acesso antecipado a trechos e bastidores para membros do clube da emissora.
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