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Palestinos voltam às urnas após mais de duas décadas sem eleição presidencial

Abbas convoca eleições palestinas pela primeira vez desde 2005 para início de 2027, buscando legitimação institucional diante da divisão entre Fatah e Hamas

O Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. (21/09/2023)
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  • Mahmoud Abbas anunciou eleições presidenciais para o início de 2027, que também incluirão votação legislativa e para o Conselho Nacional Palestino.
  • O anúncio encerra um intervalo de mais de duas décadas sem eleição presidencial; Abbas tem 90 anos.
  • O objetivo é renovar instituições e ampliar a legitimidade política, diante de críticas à governança por decretos.
  • A fragmentação entre Fatah e Hamas persiste desde a vitória do Hamas em 2006, com Gaza e Cisjordânia sob controle diferentes.
  • Obstáculos incluem garantias de participação de eleitores em Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza, o que já dificultou eleições anteriores.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, anunciou neste terça-feira a realização de eleições presidenciais no início de 2027, encerrando mais de duas décadas sem pleito para o cargo. O decreto também prevê eleições legislativas e para o Conselho Nacional Palestino, segundo a agência oficial Wafa. A medida busca renovar a legitimidade das instituições palestinas.

Abbas, com 90 anos, deveria deixar o cargo em 2009, após o mandato de 2005. Desde então, ele governou principalmente por decretos, com críticas internas e externas. O anúncio ocorre em meio a pressões internacionais por reformas e maior representatividade política.

Contexto político e histórico

As últimas eleições legislativas ocorreram em 2006, quando o Hamas venceu o Fatah, reorganizando o mapa político. A vitória provocou a fragmentação entre Cisjordânia, administrada pela Autoridade Palestina, e Gaza, controlada pelo Hamas, que não mantém funcionamento regular do Conselho Legislativo Palestino desde 2007.

A convocação de novas eleições depende de superação de entraves, especialmente garantias de votação em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel desde 1967, e na Faixa de Gaza. Em 2021, Abbas chegou a anunciar eleições, mas ambas as votações foram suspensas por indefinições logísticas e políticas.

Desafios operacionais e expectativas

Em abril deste ano, houve votação municipal na Cisjordânia, marcação de avanço local, sem a participação do Hamas. O novo cronograma depende de acordos entre facções e da possibilidade de candidaturas em territórios disputados. Organismos internacionais acompanham a evolução do processo.

Hamas versus Fatah

O Fatah, movimento secular fundado em 1959, domina a Autoridade Palestina e governou Gaza até 2007. Já o Hamas, vencedor em 2006, controla Gaza desde então, mantendo doutrinas distintas. A reconciliação entre as duas frentes é citada como requisito para a plena viabilidade das eleições.

A dinâmica entre Fatah e Hamas continua a influenciar a legitimidade das eleições e a governabilidade dos territórios. O anúncio de Abbas busca, segundo analistas, sinalizar intenção de renovação institucional frente à continuidade de disputas internas.

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