- Donald Trump voltou a ameaçar taxar vinhos e bebidas francesas na importação para os Estados Unidos, caso a França não retire a taxação sobre serviços digitais; neste caso, poderiam ser aplicados tarifas de 100%.
- A declaração foi feita após o presidente dos EUA afirmar que impondria 100% de tarifa sobre champanhe e vinhos franceses em entrevista ao New York Post, publicada na segunda-feira.
- A Federação dos Exportadores de Vinhos e Spirituosos disse não ter elementos precisos sobre o contexto, mas classificou a ameaça como ruim para o setor, que é fortemente exportador.
- Na região de Bordeaux, o primeiro mercado externo para os vinhos franceses, com 30 milhões de garrafas exportadas em 2025, a incerteza preocupa produtores e exportadores.
- Expostos a pressões, alguns produtores relatam quedas de receita e ajustes operacionais; em 2025 as exportações de vinhos e spirituosos franceses para os EUA caíram 21%.
Diante de novas ameaças de taxação por parte dos Estados Unidos, o governo francês enfrenta pressões sobre vinhos e bebidas espirituosas importados. Donald Trump voltou a sinalizar tarifa de 100% caso a França não revogue a taxação sobre serviços digitais exigida a grandes empresas de tecnologia. O anúncio ocorreu em entrevista ao New York Post, publicada nesta segunda-feira.
A Federação dos Exportadores de Vinhos e Spiritueux afirmou que não há elementos precisos para explicar o contexto, mas classificou a nova ameaça como prejudicial ao setor, fortemente dedicado às exportações. O temor se soma à instabilidade já vivida pelo mercado desde 2025.
No Bordeaux, principal polo produtor, a legalidade dos impactos permanece incerta. Nesse período, os EUA são o destino de cerca de 30 milhões de garrafas exportadas pela região em 2025. Vários produtores indicaram que o cenário agrava a queda de consumo já observada localmente.
Coraline Moreaud, proprietária do château Cormeil-Figeac, informou estar à espera de mais detalhes. Os vinhos exportados para os EUA representam 10% do faturamento do imóvel, que atua em Saint-Émilion, na margem direita de Bordeaux. O grupo ainda não tem previsão sobre como agir diante da possibilidade de tarifas.
Jérôme Durand, diretor-geral da casa Canard-Duchêne, afirmou acompanhar o desenrolar com cautela. Ele ressaltou a necessidade de entender como as medidas poderiam se concretizar e manter operações nos Estados Unidos, caso haja mudanças regulatórias.
O setor tem observado, ao longo dos anos, o vai e vem de Trump em matéria de taxação. Em janeiro de 2026, o presidente já havia indicado possibilidades de tarifas elevadas sobre vinhos franceses. Em mandatos anteriores, tarifas de até 25% provocaram quedas expressivas para produtores, segundo relatos cruzados na filiação de Canard-Duchêne e de outras vinícolas.
Impacto e avaliações
A percepção entre produtores é de que anúncios provocam retração de importadores e distribuidores, além de influenciar a percepção de consumidores sobre o custo dos vinhos franceses. Em 2025, as exportações de vinhos e espirituosos franceses para os EUA registraram queda e o setor reforça a necessidade de manter relações estáveis entre as duas economias.
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