- O embaixador Celso Amorim afirma que o possível acordo entre Estados Unidos e Irã é positivo, mas a ausência de Israel na mesa é um “perigo”.
- Ele deu as declarações à imprensa após participar da Conferência do Forte, no Rio de Janeiro.
- Amorim ressaltou que os Estados Unidos, como maior potência, têm capacidade de influenciar a região, com aliados, em relação à mediação.
- A União Europeia decidiu, em 6 de junho, proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil, com validade a partir de 3 de setembro, por não comprovar conformidade sanitária.
- O chanceler afirmou que a medida é uma decepção para o acordo de livre comércio entre Mercosul e UE e defendeu que questões multilaterais devem ser resolvidas de forma multilateral, sem favorecimento a unilateralismos.
O embaixador Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais do presidente Lula, afirmou nesta terça-feira que o possível acordo entre Estados Unidos e Irã é visto como positivo, mas a ausência de Israel na negociação representa um risco. O comentário foi feito durante a Conferência do Forte, no Rio de Janeiro.
Amorim ressaltou que a paz é essencial para o desenvolvimento, o crescimento e o bem-estar dos povos, e manifestou a torcida para que o acordo seja efetivo. Sobre o papel dos Estados Unidos, ele destacou a posição de maior potência mundial e a capacidade de influência na região, especialmente com seus aliados.
Ele também observou que não cabe emitir julgamentos precipitados, mas reiterou a leitura de que a participação de Israel é estratégica para o desfecho do processo. A posição reflete a visão de que o processo requer equilíbrio regional para avanços reais.
Veto europeu à carne brasileira
Em 6 de junho, a União Europeia anunciou a proibição de importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil, com vigência a partir de 3 de setembro. O motivo alegado envolve não atendimento a padrões sanitários, como uso de antibióticos.
Para Amorim, a medida impacta a relação entre Mercosul e União Europeia, que assinaram acordo de livre comércio em janeiro. Ele classificou a decisão como decepcionante, destacando a busca brasileira por um mundo multipolar.
O embaixador enfatizou que o Brasil busca diversificar relações e manter diálogo multilateral. A avaliação é de que a UE está estabelecendo padrões que podem exigir respostas em nível internacional, sob uma perspectiva multilateral.
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