- A Cruz Vermelha estima que o surto de Ebola na República Democrática do Congo possa durar um ano e ainda não atingiu o pico de casos, devido à limitada capacidade de diagnóstico.
- O vírus em circulação é a cepa Bundibugyo, para a qual não há vacinas ou tratamentos aprovados; o governo congolês declarou surto em 15 de maio.
- A Organização Mundial da Saúde elevou o alerta internacional; o surto já se espalhou para Uganda, com 19 casos confirmados e 2 mortes.
- A OMS aponta alta rápida de casos e mortes em uma semana; a MSF alerta que dados oficiais não refletem a dimensão real devido à dificuldade de testagem.
- A doença está concentrada no leste do país, principalmente nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, com Ituri respondendo por cerca de 95% das notificações e apenas um laboratório disponível em Kivu do Norte para analisar amostras.
A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo pode se estender por até um ano e ainda não atingiu o pico, aponta a Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV). A avaliação, publicada nesta terça (16 jun 2026), aponta diagnóstico limitado como principal fator para subestimar o tamanho real do surto.
O governo congo lateou o estado de surto em 15 de maio, levando a Organização Mundial da Saúde a acionar o nível máximo de alerta dois dias depois. O vírus já cruzou a fronteira, atingindo Uganda, que registra 19 casos confirmados e 2 mortes. A OMS descreve o avanço como alarmante.
Situação do surto
A circulação ocorre principalmente no leste do país, em Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, com 31 zonas de saúde já marcadas no mapa da OMS. Ituri concentra cerca de 95% das notificações, segundo a coordenação médica da MSF na RDC.
A organização humanitária aponta que muitos pacientes chegam aos centros com a doença em estágio avançado, e grande parte dos casos não foi identificada antes do atendimento. Investigações epidemiológicas indicam transmissão comunitária silenciosa por semanas.
Desafios de vigilância e testes
A infraestrutura precária e a violência persistente no leste dificultam o controle. Apesar da chegada de centenas de kits de teste rápido para a cepa Bundibugyo, o acesso é limitado em áreas instáveis, e apenas um laboratório funciona em Kivu do Norte.
Atrasos no envio de laudos médicos agravam a demora no diagnóstico, o que compromete a identificação precoce de novos casos. MSF alerta que sem testes amplamente distribuídos, o rastreamento de contatos fica comprometido.
Resposta e contexto local
Bruno Michon, da FICV, destaca que desinformação e resistência comunitária dificultam as ações de combate ao contágio. Regiões com conflitos também elevam o risco de proliferação.
Frederic Lai Manantsoa, da MSF, reforça a necessidade de mudar a abordagem de comunicação com a população. Ouvir preocupações locais é essencial para que comunidades contribuam com a resposta.
Impacto humano e serviços essenciais
A crise persiste sobre lacunas históricas no sistema de saúde, deslocamentos forçados e serviços básicos sobrecarregados. MSF atua em 16 das 26 províncias, oferecendo suporte cirúrgico, tratamento de desnutrição e combate a surtos paralelos como sarampo e cólera.
Kate White, coordenadora médica da MSF, ressalta que mulheres grávidas, crianças e pacientes com outras doenças ainda dependem de cuidados básicos, incluindo atenção materna, vacinação infantil e tratamento para malária e cólera.
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