- Moradores deslocados em Gaza assistem à Copa do Mundo em meio às ruínas, com acesso à internet instável em abrigos improvisados em escolas.
- Mesmo com trégua firmada em outubro de 2025, Israel manteve ataques ao território e o Hamas continua sem depor as armas.
- Atletas locais, como Fadi Al-Arawi, não conseguem entrar em campo há mais de dois anos; seus clubes e estádios ficaram destruídos ou reaproveitados como acampamentos.
- Estabelecimentos como cafés na Cidade de Gaza adotam geradores e baterias para transmitir jogos à noite, apesar do medo constante de ataques.
- Montante humanitário aponta que mil atletas estão entre os setenta e três mil palestinos mortos desde 2023; centenas de instalações esportivas foram destruídas, incluindo o Estádio Al-Yarmouk, hoje ocupado por deslocados.
Deslocados pela guerra, moradores de Gaza assistem à Copa do Mundo em meio às ruínas. Em Khan Younis e na cidade de Gaza, pessoas desempregadas e refugiadas acompanham partidas mesmo com a infraestrutura destruída. A guerra, que completa mais de dois anos, continua gerando impactos diretos no cotidiano.
Fadi Al-Arawi, jogador da Primeira Divisão da Faixa de Gaza, não entra em campo desde o início do conflito. A suspensão dos esportes profissionais interrompeu clubes, treinamentos e competições, afetando também quem já viajou para assistir às partidas pela internet. Ele tenta captar sinal de internet em uma sala de escola transformada em abrigo.
Os moradores enfrentam captação irregular de energia e internet instável. Em meio a drones sobrevoando o território, Al-Arawi observa a tela tremeluzente de um laptop para ver a estreia da Copa do Mundo de 2026 entre Catar e Suíça, com amigos em ambiente precário.
Contexto e impacto
Grande parte de Gaza está destruída, com infraestrutura seriamente danificada pela campanha militar de Israel iniciada em 2023. Apesar de uma trégua firmada em outubro de 2025, ataques continuam e o Hamas não depôs as armas. A população convive com precariedade de serviços básicos e deslocamento forçado.
Alaa Babli administra o Royal Café, em Gaza, e improvisa iluminação e alimentação para manter sessões noturnas de futebol. Linhas de energia alternativas e baterias ajudam a exibir jogos quando geradores são desligados durante a madrugada.
Hani Abu Rizq, presente no café, ressalta o clima de insegurança. O estabelecimento é alvo potencial, e o medo acompanha quem observa cada lance de jogo nas ruas da cidade. Mesmo assim, os moradores continuam assistindo às partidas, mantendo a rotina mínima de lazer.
Desafios para acompanhar a Copa
A Federação Palestina de Futebol informa que milhares de atletas e profissionais foram afetados pela guerra. Estima-se a participação de 1.000 atletas entre as centenas de mil vítimas desde 2023. Cerca de 285 instalações esportivas foram danificadas ou destruídas, e estádios chegaram a servir como abrigos ou cenários de denúncias, negadas pelas autoridades.
O Estádio Al-Yarmouk, símbolo da região, permanece ocupado por famílias deslocadas, em meio a uma transformação forçada do espaço esportivo. Profissionais que antes atuavam em Gaza viram as condições padronizadas para prática esportiva desmoronar.
Mustafa Siam, da Federação Palestina de Futebol, afirma que o esporte palestino tem sido impactado pela violência, com consequências para jogadores, árbitros e clubes. A situação reforça a necessidade de apoio e de reposicionamento do esporte como ponto de resiliência em meio à crise.
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