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Lula alerta Trump no G7 sobre protecionismo, crime organizado e desenvolvimento

Lula, no G7, defende combate ao crime organizado, critica protecionismo e queda da ajuda ao desenvolvimento, em recado direto a Trump

Foto de família de líderes do G7 ampliado em Évian, na França. (16/06/2026)
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  • Lula discursou no G7 em Évian, enviando recados a Donald Trump e defendendo o combate ao crime organizado com respeito à soberania e criticando protecionismo.
  • O presidente brasileiro destacou a queda histórica na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, citando impactos como redução de recursos para alimentação, educação e proteção de mulheres.
  • Os Estados Unidos estudam uma nova rodada de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros; negociações bilaterais devem ser encerradas até 15 de julho.
  • Lula enfatizou a cooperação internacional, inclusive por meio da Interpol, para localizar ativos e indivíduos ligados a crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e armas.
  • Como país convidado, o Brasil não tem poder de influenciar os comunicados finais; apoiou apenas um dos textos divulgados até o momento.

No G7 ampliado em Évian, na França, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez um discurso em tom crítico a protecionismo, ao crime organizado e à redução da ajuda ao desenvolvimento. Acompanhavam o brasileiro líderes de potências como EUA, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá.

Lula falou ao lado de representantes da Coreia do Sul, Índia, Quênia e Egito, participantes do segundo dia da cúpula. O Brasil já havia sido convidado pela décima vez para os debates do grupo de países industrializados e participou de painel sobre novas parcerias e solidariedade internacional.

Durante o discurso, o Brasil apontou que crises globais não têm respostas coletivas eficazes, citando o neoliberalismo como fator de desigualdade. O presidente criticou o protecionismo e o unilateralismo como respostas inadequadas aos problemas complexos enfrentados pelas democracias contemporâneas.

A reunião marcou o primeiro encontro de Lula com o presidente dos EUA desde a visita à Casa Branca em maio, em meio a expectativas sobre uma possível nova rodada de tarifas contra produtos brasileiros. As negociações entre EUA e Brasil devem avançar até 15 de julho, segundo fontes oficiais.

Em outra parte do debate, Lula destacou o combate ao crime organizado como parte da agenda de desenvolvimento, ressaltando a necessidade de respeitar a soberania dos Estados. Ele mencionou a Declaração de Líderes do G7 sobre o Tráfico de Drogas como avanço, mas afirmou que o enfrentamento do narcotráfico depende de ações contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas.

O assessor do governo brasileiro apontou que o tema de segurança está ligado à cooperação institucional, incluindo a Interpol, para localizar ativos e indivíduos envolvidos em atividades criminosas. A menção ocorreu em meio a controvérsias envolvendo declarações de figuras dos EUA sobre organizações criminosas brasileiras.

No painel sobre ajuda ao desenvolvimento, Lula citou uma queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, associada à redução de financiamentos do Programa Mundial de Alimentos desde cortes de apoio da ONU, segundo o governo brasileiro. Ele enfatizou impactos diretos em alimentação, educação, proteção de mulheres e saúde de comunidades vulneráveis.

O brasileiro também criticou o custo do endividamento em países em desenvolvimento, que estimou em US$ 1,4 trilhão para quitá-lo, e apontou que esse ganho fica aquém dos recursos destinados pela comunidade internacional a países ricos. A proposta foi defender um sistema financeiro que não force escolhas entre pagar credores e alimentar crianças.

Oito declarações conjuntas estão sendo elaboradas para a cúpula. Como país convidado, o Brasil não tem poder de alterar o texto final e pode acatar ou rejeitar os comunicados. Até o momento, Brasília apoiou apenas um dos três textos divulgados pela presidência francesa, que trata do combate ao câncer. Os outros dois não receberam o respaldo brasileiro, por entender que não refletiam a posição da diplomacia brasileira.

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