- Em discurso na cúpula do G7, Lula criticou protecionismo e unilateralismo e enviou recados indiretos a Donald Trump sobre tarifas e sobre a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas.
- O presidente afirmou que o protecionismo é uma resposta falaciosa à complexidade dos problemas, associando-o ao endurecimento do cenário global.
- A comitiva brasileira viu como resposta às propostas dos EUA de sobretaxar produtos brasileiros, que chegam a 25% ou 12,5%.
- Sobre o combate ao crime transnacional, Lula defendeu cooperação internacional respeitando a soberania dos Estados, mencionando a Interpol e anunciando encontro com a entidade em Genebra.
- O presidente mencionou a queda de 23% na ajuda oficial ao desenvolvimento e pediu maior participação de países detentores de minerais críticos em etapas de maior valor agregado.
O presidente Lula discursou na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, França, na terça-feira, 16 de junho. No encontro, ele criticou protecionismo e unilateralismo, defendendo que políticas comerciais restritivas agravam desigualdades e crises políticas. O tom foi indireto em relação aos EUA e à administração de Donald Trump, sem citá-los nominalmente.
Lula destacou ainda a defesa da soberania na cooperação internacional, especialmente no combate aos crimes transnacionais. O presidente enfatizou que iniciativas contra o crime devem respeitar a autonomia dos países e ampliar a cooperação, incluindo a atuação da Interpol.
Ele citou a importância de fortalecer o combate ao narcotráfico aliado a ações de lavagem de dinheiro e tráfico de armas, afirmando que o enfrentamento não pode ocorrer isoladamente. O discurso sinalizou que o Brasil buscará diálogo institucional para localizar ativos ligados a atividades criminosas.
Soberania no combate ao crime
O petista afirmou que o combate a crimes transnacionais deve ser parte de uma agenda de desenvolvimento, com recursos direcionados para educação e infraestrutura. O tom foi de equilíbrio entre cooperação internacional e respeito à soberania nacional.
Lula lembrou a queda de 23% na ajuda ao desenvolvimento e criticou o gasto mundial com defesa, apontando que é preciso mais vontade política para ampliar investimentos sociais. Ele também informou que se reuniria com a Interpol em Genebra na quarta-feira, para discutir estratégias de cooperação.
Minerais críticos e industrialização
O tema dos minerais críticos foi abordado como prioridade: Lula defendeu participação de detentores de recursos nas etapas de maior valor agregado. A ideia é favorecer industrialização, transferência de tecnologia e formação de capacidades, mantendo o foco na autonomia nacional.
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