- Lula participou como convidado da Cúpula do G7, em Évian, França, e pediu mais empenho dos países ricos para reduzir as desigualdades globais.
- Disse que a desigualdade entre ricos e pobres tem aumentado, e que o sistema produz riqueza, mas distribui oportunidades de forma assimétrica.
- Apontou quedas de financiamento de grandes organizações: ~40% no Programa Mundial de Alimentos; orçamento da Organização Mundial da Saúde e do UNICEF caiu mais de 20%, com guerras desviando a agenda do desenvolvimento.
- Ressaltou que os gastos militares somam quase US$ 3 trilhões, impactos diretos sobre milhões de habitantes de países em desenvolvimento.
- Observou que o mundo em desenvolvimento paga 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, sete vezes a ajuda recebida, mencionando o histórico de encontros do G8/G7 desde 2003 e críticas a respostas desreguladas e ao protecionismo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou como convidado da Cúpula do G7, realizada em Évian, França. Em discurso durante o encontro, ele pediu mais empenho dos países ricos para reduzir as desigualdades globais. A reunião reúne as principais economias do mundo.
Segundo Lula, a diferença entre ricos e pobres tem aumentado. O chefe de estado afirmou que a prosperidade de Évian não condiz com a realidade de bilhões no Sul Global e que a solidariedade internacional vem encolhendo.
A tarefa, segundo o presidente, é corrigir as assimetrias de um sistema que gera riqueza, mas distribui oportunidades de forma desigual. Ele citou dados alarmantes sobre cortes em programas humanitários e dificuldades de financiamento.
Desafios e finanças
No ano anterior, o mandatário mencionou a perda de cerca de 40% do financiamento do Programa Mundial de Alimentos. A OMS e o UNICEF teriam reduzido seus orçamentos em mais de 20%, segundo ele, com guerras desviando a agenda do desenvolvimento.
Ele destacou ainda que os gastos militares somaram quase US$ 3 trilhões, o que, na prática, impacta milhões em países em desenvolvimento. Os efeitos chegam a alimentação, educação e saúde precárias.
Lula afirmou que, no desenvolvimento, há um peso maior de dívida externa. O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano para serviço da dívida, valor sete vezes superior à soma da ajuda recebida dos países ricos.
Contexto histórico
O presidente lembrou que, em 2003, participou da Cúpula do G8, antecedente do atual G7. Desde então, ocorreram mais nove encontros, sem respostas coletivas duradouras para os desafios globais.
Ele criticou discursos que defendem desregulamentação, Estado mínimo e austeridade como fim de política. Segundo Lula, protecionismo e unilateralismo ressurgem como respostas inadequadas aos problemas atuais.
Lula também mencionou que, segundo a Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento, a direção correta envolve implementação e vontade política, não apenas gestão de escassez.
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