- Protestos em sul da África pedem que migrantes sem documentos deixem o país até o dia 30 de junho, sob o argumento de reduzir abusos do sistema migratório.
- Em Durban, até sete mil estrangeiros, principalmente de Malawi, se reuniram em um campo aberto enquanto recebem donativos de roupas e comida.
- Incidentes de intimidação ocorreram, com moradores locais segundo relatos perseguindo e agredindo migrantes, incluindo ataques a viajantes com facas e chicotes.
- Autoridades afirmam que mais de quatro dezenas de milhares de imigrantes ilegais foram detidos neste ano, em ações para cumprir a Lei de Imigração; há referência a desmonte de áreas de comércio informais como parte de medidas de segurança.
- Países vizinhos realizam repatriações de seus cidadãos; até agora cerca de três mil e quinhentos estrangeiros já optaram por deixar o país, com relatos de descontentamento entre sul-africanos sobre a presença de migrantes.
A crise migratória na África do Sul ganhou contornos mais claros nesta semana, com uma mobilização que pressiona migrantes a deixarem o país até 30 de junho. protestos, liderados por grupos que contestam a presença de estrangeiros, foram intensos em Durban e outras cidades.
Na região portuária de Durban, até 7 mil estrangeiros, principalmente de Malawi, ocupam um terreno aberto há duas semanas. Eles receberam mantimentos de organizações de ajuda, enquanto relatos de intimidação door-to-door foram observados por moradores e assistentes sociais.
O grupo organizador das manifestações exige a saída de migrantes irregulares. A principal faixa de protesto avisa que a contagem regressiva para partir está em curso, com faixas e cantos que repetem o lema de expulsão. Autoridades locais acompanham.
Esnat Joseph, mulher de 36 anos, refugiada malauiana, descreveu ao BBC o medo e o trauma ao tentar proteger seus trigêmeos de um ataque com facões e chicotes. O marido ficou ferido e está hospitalizado, segundo relatos. Muitas famílias afirmam ter perdido documentos.
Diversas nacionalidades participam das repatriações por terra ou por ar. Ghana, Moçambique, Nigéria e Zimbábue organizam remoções nos últimos dias; cerca de 3,5 mil estrangeiros já aceitaram deixar o país. Autoridades sul-africanas apontam que muitos repatriados estavam Irregulares.
O governo e partidos enfrentam críticas e temem-se incidentes de violência. Em 2008 e em episódios de 2015, 2016 e 2019 houve ondas de xenofobia que deixaram mortos. Agora, autoridades tentam evitar repetição de tais episódios.
A presidente e autoridades enfatizam que culpar migrantes não resolve os problemas econômicos, entre eles o desemprego elevado e a pressão sobre serviços públicos. Estatísticas indicam mais de três milhões de estrangeiros no país, cerca de 5% da população.
Medidas do governo incluem operações de fiscalização e demolições em áreas informais para reduzir pontos de concentração de migrantes. Em Johannesburg, ações de retirada de comercios informais foram acompanhadas por missões de fiscalização.
Protestos também envolvem acusações de desinformação por parte de políticos que exploram o tema para ganhos eleitorais. Grupos de direitos humanos alertam para o risco de ampliar a hostilidade contra estrangeiros sem provas robustas.
Em Durban, a tensão permanece alta, com migrantes ansiosos para deixar o país conforme a contagem regressiva se aproxima. O dia a dia no campo improvisado mostra a presença contínua de famílias buscando uma saída segura.
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