- A facção venezuelana Tren de Aragua usa Roraima como corredor para o tráfico internacional de armas, com o Comando Vermelho como principal cliente, enviando armas para Rio de Janeiro e Amazonas.
- Uma rede financeira ligada ao grupo movimentou cerca de R$ 6 bilhões em dois anos por meio de empresas, fintechs, criptomoedas e contas de terceiros para ocultar recursos criminosos.
- A operação Rota do Norte resultou em 25 prisões preventivas e mais de 30 mandados de busca e apreensão em seis estados: Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
- Foram apreendidos mais de US$ 50 mil em espécie, veículos de luxo avaliados em até R$ 1 milhão e ativos em criptomoedas; os bens não condizem com a renda declarada.
- A investigação aponta que a presença da Tren de Aragua em Roraima atua como base logística, com armas deslocando-se para o Amazonas e, depois, para o Rio de Janeiro, em uma relação de cooperação com o CV.
A Polícia Civil de Roraima informou que a facção venezuelana Tren de Aragua usa o Estado como corredor logístico para o tráfico internacional de armas, incluindo metralhadoras calibre .50 e lança-granadas. O principal cliente seria o Comando Vermelho, com envio de armamentos para Rio de Janeiro e Amazonas. A operação envolve ações contra o crime transnacional, com foco na infiltração de recursos financeiros.
A investigação identificou uma rede financeira ligada aos venezuelanos que movimentou cerca de R$ 6 bilhões em dois anos, por meio de empresas, fintechs, criptomoedas e contas de terceiros para ocultar recursos ilícitos. A polícia aponta que o fluxo é pulverizado por intermediários, em uma cadeia que evita rastreamento direto.
A ação resultou na deflagração da Operação Rota do Norte, realizada nesta terça-feira (16) em seis estados. Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 de busca e apreensão. Os investigadores destacam que armas, dinheiro e ativos digitais foram apreendidos.
Logística e redes criminosas
Segundo Hugo Cardias, responsável pela Draco, os rendimentos ilegais chegam a ser desviados entre várias camadas, com o dinheiro passando por laranjas e camadas de pulverização. A delegacia descreve a prática de smurfing para explicar o escoamento de recursos.
Foram apreendidos mais de US$ 50 mil em espécie, veículos de luxo avaliados em até R$ 1 milhão e ativos em criptomoedas. Os investigadores afirmam que os bens são incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos.
Atuação regional e impactos
A polícia mantém sigilo sobre nomes de empresas e plataformas financeiras utilizadas. A investigação aponta que Roraima funciona como corredor logístico para o envio de armamento ao Amazonas e, posteriormente, ao Rio de Janeiro. Armamentos apreendidos incluem fuzis, metralhadoras 50 e lança-granadas.
De acordo com o delegado Wesley Costa, a relação entre Tren de Aragua e CV evoluiu para uma parceria com interesses comerciais estáveis. Ele afirma que a atuação envolve fornecimento de armas e rotas, associada a estruturas brasileiras que aportam recursos financeiros.
Contexto e desdobramentos
A delegada-geral Simone Arruda explicou que o caso nasceu de desdobramentos da Operação Kapok, que combate o braço armado de uma organização ligada ao narcotráfico na Terra Indígena Yanomami. A atuação de grupos transnacionais envolve exploração de vulnerabilidades locais e migração de técnicas criminosas. A presença de Tren de Aragua em Boa Vista envolve crimes de tráfico de armas, homicídios e lavagem de dinheiro.
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