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Três razões pelas quais navios ainda não passam pelo Estreito de Ormuz

Poucos navios atravessaram o estreito após o acordo com o Irã, devido a segurança, minas e tarifas que atrasam o tráfego

BBC Ships on the Strait of Hormuz at sunset
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  • Após o anúncio do acordo, apenas sete navios teriam passado pelo Estreito de Hormuz, com cerca de 580 embarcações aguardando no Golfo.
  • O estreito continua praticamente fechado pela parte do Irã desde fevereiro, com funcionamento restrito e tensões contínuas na região.
  • Dados de rastreamento marítimo indicam mais de 250 petroleiros e 330 navios de carga no Golfo, e cerca de 75% dos petroleiros estão estacionados.
  • Mineiras e segurança são grandes entraves: especialistas dizem que varreduras e remoção de minas podem levar de 30 dias a seis meses.
  • Há controvérsia sobre tarifas e controle: o Irã criou autoridade para gerenciar permissões de passagem, mas EUA e aliados contestam a legitimidade dessa cobrança.

Três dias após o anúncio de um acordo entre EUA e Irã, a passagem pelo Estreito de Hormuz permanece restrita. Trump afirmou a “abertura” do estreito, em postagem na Truth Social, pedindo que navios do mundo avancem para o fluxo do petróleo. No entanto, dados de rastreamento de navios indicam apenas sete embarcações que teriam atravessado desde o anúncio, com cerca de 580 navios ainda na região persa.

Teerã fechou o Estreito de Hormuz após ataques de EUA e Israel em 28 de fevereiro, segundo especialistas. A via concentra grande parte do petróleo global, cerca de um quinto das operações de óleo e gás. Obstáculos de segurança, minas e cobranças cobradas por controles estatais dificultam o retorno ao tráfego pré-conflito.

Dados de rastreamento da MarineTraffic mostram mais de 250 petroleiros e mais de 330 cargueiros dentro do Golfo. Cerca de 75% dos petroleiros estão estacionários; imagens de satélite mostram concentrações próximas a terminais do petróleo na Arábia Saudita, Iraque e Emirados.

A área pode abrigar números maiores de embarcações, já que muitas não transmitem posição ou não aparecem nos dados. Analistas ressaltam que a primeira saída de navios presos no Golfo seria um sinal claro, mas ainda não ocorreu.

1. Segurança e segurança operacional

Especialistas apontam que atravessar o estreito, sob o atual cenário, exigiria coragem de capitães. Desde o bloqueio efetivo de Hormuz, a região tem registrado disparos contra navios que tentam transitar sem permissão.

A ocupação naval dos EUA, iniciada em 13 de abril, resultou na neutralização de nove embarcações que desrespeitaram controles. Houve atuação com mísseis em salas de máquinas de alguns navios, segundo autoridades militares americanas.

Após o anúncio do acordo, autoridades indicam preparação de armadores e operadoras para a travessia, ainda que a maioria permaneça contida. Observadores destacam que companhias com apetite ao risco podem abrir caminho, influenciando outras.

2. Risco de minas

Iran colocou minas como ameaça caso sua costa fosse atacada. Alertas sobre objetos flutuantes foram emitidos por órgãos internacionais, com autoridades dos EUA mencionando a presença de áreas minas. A retirada dessas minas é vista como passo essencial para normalizar o tráfego.

Especialistas estimam que a operação de varredura demore de 30 dias a até seis meses. A rota ao sul, próxima a Omã, estaria mais limpa, mas a passagem principal exigirá varredura cuidadosa. Navios britânicos e franceses já enviaram apoio naval à região.

3. Tolls e tarifas

Enquanto o Estreito fica entre águas territoriais do Irã e do Omã, historicamente não houve cobrança de pedágios pela passagem. Ainda que EUA e Irã não sejam partes da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, há alegações de que a livre passagem é um costume do direito internacional.

O Irã criou a possível “Persian Gulf Strait Authority” para gerenciar permissões de passagem, medida rejeitada pelos EUA e por aliados da região. A normalização do tráfego depende da confirmação de condições de segurança e governança sobre o estreito.

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