- O Brasil rejeitou seis dos nove textos aprovados pela cúpula do G7 em Évian-les-Bains; apoiou apenas três: combate ao tráfico de drogas, luta global contra o câncer e regulação da internet para menores de idade.
- O G7 reúne Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá; o Brasil não faz parte do grupo, mas pode apoiar ou não as declarações.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país tem “visão diferenciada” e comentou que o debate estava “samba de uma nota só”.
- Macron destacou a prioridade de reduzir desequilíbrios macroeconômicos globais; Lula disse não querer uma Guerra Fria entre Estados Unidos e China.
- O Brasil não endossou a declaração sobre minerais críticos, por considerar o texto centrado em confronto com a China; Lula ressaltou que negociações com EUA e UE também ocorrem.
O Brasil rejeitou a maior parte das declarações aprovadas na cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, nos Alpes franceses. Dos nove textos divulgados ao longo de três dias de reuniões, o país endossou apenas três: combate ao tráfico de drogas, apoio à luta global contra o câncer e regulação da internet para menores de idade. Embora não faça parte do grupo, o Brasil pode manifestar apoio ou oposição às declarações.
A decisão ocorreu em meio a uma leitura crítica do cenário econômico global. O governo brasileiro informou que não apresentou alterações aos textos, mas exerceu seu direito de aderir aos itens que considerou compatíveis com a agenda nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em Genebra, que o Brasil tem uma visão diferenciada sobre os debates da cúpula.
O encontro destacou temas de desequilíbrios macroeconômicos globais e estratégias para crescimento sustentável. O líder francês Emmanuel Macron apontou que a China produz muito e consome pouco, enquanto os EUA consomem mais e dependem de capitais externos. Essas leituras embasaram as discussões sobre tensões comerciais e geopolíticas.
Posições do Brasil no G7
Lula afirmou não ter qualquer queixa da China e destacou um superávit com o país superior a US$ 165 bilhões, frente a um déficit de US$ 10 bilhões com os Estados Unidos. O presidente ressaltou que, ao longo dos anos, o Brasil participa de licitações internacionais, com a China atuando mais ativa e assumindo espaço que, segundo ele, ficou vago pela ausência de participação americana e europeia.
O texto sobre crescimento equilibrado foi apoiado por três dos cinco países convidados: Egito, Quênia e Coreia do Sul. Brasil e Índia não endossaram aquele conjunto de declarações. A lógica central era buscar um modelo de crescimento mais estável, inclusivo e resiliente, com apoio a parcerias globais.
Minerais críticos e ressalvas
O Brasil também não apoiou a declaração sobre minerais críticos. O governo avaliou que o texto foca excessivamente na relação com a China, em meio a preocupações com práticas de coerção econômica e restrições à exportação. A posição brasileira manteve foco em interesses nacionais sem aderir às críticas ao bloco asiático.
Em meio às discussões, Macron sinalizou que o G7 não é anti-China, apesar de diferenças sobre valores democráticos. O premiê francês destacou que há canais de cooperação abertos, ainda que haja desacordos em temas como clima e atuação da ONU. O encerramento da cúpula ocorreu com a promessa de manter diálogo e cooperação entre as nações presentes.
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