- Bukele completou dois anos no segundo mandato em junho, mantendo alta popularidade por suas políticas de segurança que reduziram homicídios.
- O presidente disse que, após combater as gangues, vai dar prioridade à luta contra a corrupção, citando roubos, contrabando, sonegação fiscal e fraudes.
- Medidas já adotadas incluem transparência sobre bens de servidores, aumento de penas para corrupção, criação do Centro Nacional Anticorrupção e Lei de Reestruturação Municipal que reduziu de 262 para 44 o número de municípios.
- El Salvador vive regime de exceção há quatro anos; opositores apontam falta de transparência e concentração de poder, citando casos como a detenção do advogado Enrique Anaya.
- O modelo de Bukele inspira direita na região, mas especialistas dizem que replicá-lo no Brasil enfrentaria obstáculos institucionais e contextuais.
Nayib Bukele completou dois anos do seu segundo mandato em El Salvador, em junho. A gestão, marcada por queda histórica de homicídios e políticas de segurança duras, ganhou destaque entre governos de direita. A popularidade acompanha medidas que ampliaram controle sobre gangues, considerados o principal desafio do país.
O governo anunciou nova frente de combate: a corrupção. Em discurso na inauguração da sede da Procuradoria-Geral de San Salvador, no fim de maio, Bukele citou roubos, contrabando, sonegação fiscal e fraudes como áreas a enfrentar com prioridade.
A estratégia de tolerância zero contra as Maras ajudou a ampliar o apoio internacional. As ações resultaram na criação do Centro de Confinamento do Terrorismo, o Cecot, o maior presídio das Américas, com capacidade para 40 mil detentos, voltado a membros de gangues.
Apesar dos resultados, o país vive sob regime de exceção há quatro anos. Críticos destacam problemas de transparência e concentração de poder nas mãos do presidente e de seus aliados, com desconfiança sobre o equilíbrio institucional.
A nova linha de atuação contra a corrupção já teve avanços, incluindo leis de transparência sobre bens de públicas e familiares, penas ampliadas para crimes ligados à corrupção e criação de um Centro Nacional Anticorrupção ligado ao Ministério Público.
Entre as medidas também está a Lei Especial de Reestruturação Municipal, que reduziu de 262 para 44 o número de municípios em 2024, com o objetivo de facilitar a gestão do país.
Contexto internacional
A política de segurança de Bukele recebeu apoio de líderes estrangeiros, como o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e influenciou segmentos da América Latina, que buscaram adaptar o modelo a seus contextos.
Críticas de direitos humanos cresceram nos últimos anos, com expulsão da Comissão Internacional Contra a Impunidade, vinculada à OEA, em 2021, por divergências políticas.
Casos envolvendo opositores também aparecem na pauta. O advogado Enrique Anaya, crítico do governo, permanece preso preventivamente há mais de um ano sob acusação de lavagem de dinheiro.
Segundo organizações de direitos humanos, Anaya teria questionado publicamente o regime e criticado a concentração de poder, caso citado pela ONG Cristosal como indicativo de erosão democrática.
Brasil e o modelo Bukele, o que dizem especialistas
Analistas internacionais veem obstáculos para replicar o modelo de El Salvador no Brasil. O professor Frederico Dias, do Ibmec Brasília, aponta que o sucesso de Bukele depende de condições específicas, como um território menor e suspensão de garantias constitucionais para encarceramento em massa.
Já o professor João Alfredo Lopes Nyegray, da PUCPR, ressalta que as gangues brasileiras operam em redes mais complexas, com ramificações em presídios, fronteiras e mercados ilícitos, o que exige respostas institucionais robustas.
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