- O governo chinês divulgou o livro branco Governança Global Mais Justa e Equitativa, apresentando a Iniciativa de Governança Global (IGG) de Xi Jinping e propostas para reformar o sistema multilateral.
- O documento defende o fortalecimento da Organização das Nações Unidas, críticas a sanções unilaterais e guerras tarifárias, e diz que a IGG não cria uma ordem paralela, mas reforça a ONU.
- O texto destaca que 2025 teve mais de cinquenta conflitos armados, com a war na Ucrânia em seu quinto ano e tensões no Oriente Médio em expansão.
- São apontados impactos sociais relevantes: mais de 830 milhões vivem em extrema pobreza, 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar e metas da Agenda 2030 avançam lentamente ou regrediram.
- A China ressalta contribuições em segurança, diplomacia e comércio, citando participação em operações de paz, mediação regional e o comércio com parceiros da Iniciativa Cinturão e Rota em 2025, que chegou a 23,6 trilhões de yuans.
O governo da China lançou, nesta quarta-feira, 17, um livro branco que apresenta a visão do país sobre a governança global. O texto defende o fortalecimento da ONU, critica sanções unilaterais e guerras tarifárias, e propõe uma reforma do sistema multilateral.
A publicação, intitulada Governança Global Mais Justa e Equitativa: Princípios, Propostas e Ações da China, foi divulgada pelo Departamento de Comunicação do Conselho de Estado. O órgão chinês funciona como um ministério da comunicação.
O livro branco chega em um momento de tensões internacionais, com guerras em curso, dúvidas sobre a eficácia das instituições multilaterais e maior disputa entre grandes potências. A China apresenta sua visão para a ordem global.
Para 2025, o documento aponta o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, com mais de 50 países envolvendo-se em guerras ou disputas. A guerra na Ucrânia é citada como de longo prazo, em seu quinto ano.
As hostilidades no Oriente Médio são descritas como em expansão. O texto também aponta que mais de 830 milhões de pessoas vivem em extrema pobreza e 2,3 bilhões passam insegurança alimentar. Quase 80% das metas da Agenda 2030 estariam atrasadas ou estagnadas.
O material destaca o enfraquecimento das instituições multilaterais, citando retirada de acordos, bloqueio de resoluções no Conselho de Segurança da ONU e paralisação de disputas da OMC. A conclusão é a necessidade de reformar, não desmontar, a governança global.
O documento critica práticas como unilateralismo, protecionismo e hegemonismo. Assim, ressalta a oposição a sanções unilaterais, guerras tarifárias e uso de questões econômicas como armas geopolíticas, sem apontar países específicos.
A peça central é a Iniciativa de Governança Global (IGG), lançada por Xi Jinping em 2025, ano em que a ONU completou 80 anos. A IGG é apresentada como a resposta chinesa a que tipo de sistema de governança global deve existir e como melhorá-lo.
A IGG apoia cinco pilares: igualdade soberana, primazia do direito internacional, multilateralismo, foco no bem-estar das populações e resultados práticos. Segundo o livro, quase 160 países e organizações já apoiam a iniciativa.
Mais de 60 nações integram o Grupo de Amigos para a Governança Global. O texto enfatiza que a IGG não cria uma ordem paralela à ONU, mas reforça a autoridade e o status da organização, defendendo sua implementação de forma eficaz.
Na seção de contribuições da China, o livro branco ressalta participação em missões de paz da ONU, com mais de 50 mil militares envolvidos em 29 operações. O país é citado como segundo maior contribuinte financeiro para a paz e maior fornecedor de tropas entre membros permanentes do Conselho.
Diplomaticamente, o documento descreve a China como mediadora em conflitos regionais, mencionando supostas mediações entre Arábia Saudita e Irã, e negociações com 14 facções palestinas em Pequim. Também cita envolvimento no Grupo de Amigos para a Paz no conflito ucraniano.
Na economia, o texto afirma que a China é principal parceira comercial de mais de 160 países. O comércio entre participantes da Iniciativa Cinturão e Rota atingiu 23,6 trilhões de yuans em 2025, com 6,3% de alta. Importações entre 2021 e 2025 superaram US$ 15 trilhões.
O livro branco dedica atenção ao Sul Global, afirmando que esses países representam mais de 60% da economia mundial e 80% do crescimento global, quando medidos por paridade de poder de compra. A China defende maior voz dessas nações nas instituições internacionais.
Por fim, o documento critica atrasos nas reformas de cotas do FMI e de participação acionária no Banco Mundial, destacando fóruns como BRICS, OCX, G20 e G77 como espaços de crescente representatividade.
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