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EUA e China movimentam bilhões de dólares no Brasil

Brasil vira palco da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, com investimentos chineses em mineração e semicondutores e impacto estratégico no país

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  • O duelo tecnológico entre EUA e China se intensificou desde 2022 com restrições à venda de chips avançados, IA e máquinas de fabricar semicondutores; em 2026, houve mudanças de licenciamento e inclusão de Alibaba, Baidu, BYD e SMIC como companhias militares chinesas.
  • A contenção dos EUA visou frear a IA para uso militar/chão de vigilância, e a China reagiu tratando tecnologia como questão de soberania, elevando investimentos e pedidos de patente após as medidas.
  • O Brasil ganhou relevância nessa disputa: a China busca diversificar fontes de minerais críticos, e o país tem reservas expressivas de terras raras (21 milhões de toneladas, segundo USGS 2026) e grande destaque em nióbio (104 mil toneladas em 2025) e lítio (540 mil toneladas).
  • A integração sino-brasileira avança com investimentos chineses no Brasil, como a BYD em licenças de lavra e projetos na Bahia; acordos e comércio bilateral atingiram recordes, com o Brasil sendo o maior destino de investimento chinês em 2025 (US$ 6,1 bilhões).
  • Projetos de infraestrutura e políticas públicas sinalizam a profundidade dessa parceria: porto de Chancay na região, ferrovias biocêntricas, linha de transmissão da State Grid, acordos de compensação em yuan e a tramitação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Desde outubro de 2022, os EUA restringiram a venda de chips avançados, aceleradores de IA e fábricas de semicondutores para a China, buscando frear o avanço tecnológico chinês. Em 2026, a postura dos dois lados permaneceu firme, com mudanças graduais em políticas de exportação e investimentos.

A difusão dessa disputa no Brasil envolve o impulso chinês na cadeia de minerais críticos. Dados da USGS mostram o Brasil com 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, o segundo maior volume global, após a China. A produção nacional é pequena, mas o país exporta mais de 60% do que importa para a China.

A China intensificou a busca por diversificação de fornecedores para evitar dependência de países como a Austrália. Em junho de 2026, licenças e controles sobre minerais críticos atravessaram novas restrições, afetando cadeias de suprimento, incluindo o fosfeto de índio usado em chips ópticos de data centers.

No campo empresarial, a DeepSeek chamou atenção ao lançar modelos de linguagem com desempenho próximo ao ChatGPT. Em 2025, o custo de treinar o DeepSeek-V3 ficou em torno de US$ 5,6 milhões, com horas de processamento de GPUs em um cluster de alto desempenho.

A relação Brasil-China avançou para além de comércio. Em 2024, Xi Jinping visitou o Brasil e, em 2025, Lula esteve em Pequim, consolidando acordos e investimentos que superaram US$ 171 bilhões em 2025. O Brasil tornou-se o maior destino de investimento chinês naquele ano.

Na prática, grandes projetos sinalizam a parceria: a BYD investe no Brasil, com lavras de lítio no Jequitinhonha e um parque fabril na Bahia. A eletrificação brasileira aponta para integração entre mineração, veículos elétricos e componentes de tecnologia.

O governo brasileiro lançou medidas para ampliar a participação em minerais críticos. O PL 2780/24 tramita no Senado, visando criar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, enquanto o Plano de IA prevê investimentos de até R$ 23 bilhões.

No âmbito energético, a cooperação com a China envolve transmissão de energia de grandes contratos, como a linha de 1.500 quilômetros pela State Grid, ainda em fase de implementação. O país também testa hidrogênio verde, com projetos em portos brasileiros e parcerias tecnológicas.

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