- Raphaela Coiado, 24 anos, teve o visto para os Estados Unidos negado junto com o marido e outros familiares, em uma entrevista no Rio de Janeiro, após participarem de uma promoção da Coca-Cola que premiava a viagem à Copa.
- O prêmio incluía duas passagens, cinco dias de hospedagem e ingresso no camarote da Coca‑Cola para o jogo Brasil x Haiti; a família acabou vendendo a viagem por R$ 25 mil após decidir não arriscar mais custos.
- Além do desembolso com taxas, assessoria e deslocamento ao consulado, o grupo estimou cerca de R$ cinco mil de prejuízo com o processo.
- Casos internacionais mostraram que pessoas de países com históricas dificuldades para vistos passaram por dificuldades semelhantes, como torcedores iraquianos que tentaram via Jordânia, e britânicos com alterações súitas em autorizações ESTA na Escócia.
- A promoção e o caso ilustram a diferença entre mensagens de isenção de visto para a Copa e a prática de negações, com o governo americano afirmando analisar cada pedido caso a caso e garantindo rigor na segurança.
A enfermeira Raphaela Coiado, 24 anos, teve o visto para os Estados Unidos negado junto com o marido e mais quatro parentes, após a família tentar viajar para a Copa do Mundo. Eles estavam no consulado do Rio de Janeiro, em uma entrevista de visto patrocinada pela Coca-Cola, para um prêmio de viagem.
A promoção dava duas passagens, cinco dias de hospedagem e ingresso no camarote para o jogo Brasil x Haiti. O casal e os familiares não tinham visto válido e, ao final, todos receberam a recusa. A esperança de participar da Copa acabou frustrada para eles.
No início do ano, a Coca-Cola lançou a competição entre parceiros com metas de desempenho. Raphaela foi vencedora com o marido, que gerencia o setor comercial do negócio da família. A premiação também previa a ida ao jogo na Filadélfia.
O custo e a decisão de vender
Raphaela não possuía passaporte e precisou regularizar CPF, RG e emitir o novo passaporte rapidamente para concorrer. O grupo contratou uma assessoria para orientar o preenchimento de formulários e a documentação para a entrevista.
Para o consulado, foram questionados sobre parentesco, destino, profissão e renda familiar. O visto foi negado a todos, sem explicação oficial. A família estima um prejuízo de cerca de R$ 5 mil com taxas, assessoria, viagens, hospedagem e alimentação.
Diante da recusa, a família optou por vender a viagem por R$ 25 mil. O negócio foi fechado em menos de um dia, encerrando o sonho de assistir à Copa do Mundo ao vivo.
Casos fora do Brasil
No Iraque, um torcedor comprou ingressos após a classificação, mas desfez a viagem depois de a embaixada suspender serviços consulares de rotina. Ele gastou cerca de US$ 1.800 e viajou à Jordânia para tentar o visto, que também não foi concedido.
Na Escócia, torcedores com autorização ESTA viram o status mudar para viagem não autorizada poucos dias antes dos jogos. O governo americano disse que a verificação de segurança continua.
Na Argentina, uma empresa distribuiu televisores de graça para torcedores com visto negado, para que pudessem acompanhar a Copa de casa.
Contexto maior de vistos
Os organizadores destacam que o Canadá, coanfitrião, registrou 54% de rejeição de vistos em 2025. O México, outro anfitrião, não divulga as taxas. Países sem presença diplomática local para certos solicitantes também aparecem entre os classificados.
O Departamento de Estado afirmou estar preparado para receber visitantes de todo o mundo, ressaltando que muitos torcedores não precisam de processos especiais devido à isenção de visto ou autorização prévia. Cada pedido é analisado caso a caso.
Raphaela planeja tentar novamente o visto no futuro, mas não para a Copa deste ano. A expectativa é retomar viagens ao exterior para construir histórico de experiências antes de nova tentativa.
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