- Lula encerrou sua décima participação no G7, realizado em Évian-les-Bains, com encontros privados com líderes de Japão, Egito, Ucrânia, França e União Europeia.
- O Brasil endossou apenas três das oito declarações divulgadas pelo grupo, sinalizando distâncias entre Brasília e os membros do G7.
- Na interação com Donald Trump, houve troca de farpas após o fórum; o presidente americano chamou o Brasil de “perigoso do ponto de vista político” e Lula pediu respeito à soberania brasileira.
- Lula reuniu-se a portas fechadas com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e disse ter visto disposição de encontrar solução para a guerra, reforçando a necessidade de atuação dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
- No âmbito bilateral, foi anunciada a abertura de negociações de um acordo de parceria econômica entre Mercosul e Japão, como parte de diversificação comercial, enquanto a União Europeia manteve o veto a alguns produtos brasileiros e prometeu acompanhamento mais estratégico das negociações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou nesta quarta-feira (17/06) sua décima participação em cúpula do G7, realizado em Évian-les-Bains, França. O brasileiro participou como convidado e manteve encontros privados com lideranças da UE, França, Japão, Egito e Ucrânia, além de reuniões com autoridades suíças.
Durante a passagem, Lula teve contatos com Donald Trump nos corredores do hotel e em coletivas distintas o tom entre os dois foi de críticas mútuas. Enquanto o ex-presidente americano chamou o Brasil de “perigoso do ponto de vista político”, Lula disse que não se pode interferir nas eleições brasileiras.
Brasil fechou participação no G7 endossando apenas três das oito declarações divulgadas pelo grupo, sinalizando dissensão com temas macroeconômicos defendidos pelos membros. A avaliação interna indica distância entre Brasília e as potências do bloco.
Além disso, Lula manteve reunião fechada com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, no último dia da cúpula. O brasileiro afirmou que Zelensky demonstrou disposição de buscar soluções para o conflito e que o Brasil pretende ampliar contatos com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
Em Genebra, Lula reforçou a necessidade de ação mais efetiva dos membros do Conselho de Segurança para pôr fim à guerra. O presidente afirmou que ligará para China, Rússia, EUA, França e Reino Unido para enfatizar a urgência da mudança de postura internacional.
No ámbito das relações com a União Europeia, o Brasil manteve encontros com Ursula von der Leyen e António Costa. A chefe da Comissão Europeia confirmou o veto à importação de carnes, tripas, peixe e mel brasileiros por questões sanitárias, vigente a partir de setembro, com supervisão reforçada das negociações.
A delegação brasileira destacou que, além das questões sanitárias, foram discutidas medidas para exportação de aço e uma melhoria no acompanhamento técnico que visa agilizar acordos comerciais entre Brasil, UE e Mercosul.
Entre os desdobramentos, o governo brasileiro confirmou negociações com o Japão para um acordo de parceria econômica com o Mercosul. A abertura das negociações deve ocorrer na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, no Paraguai, prevista para o fim de junho.
Lula ressaltou que não há intenção de alinhamento automático com as posições chinesas, enfatizando a busca por uma relação equilibrada com grandes poderes. O líder brasileiro reforçou a contribuição do Sul Global para o desenvolvimento global, sem abrir mão de soberania nacional.
Entre na conversa da comunidade