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Especialista afirma que Irã tornou a guerra insustentável para os EUA

Especialista diz que Irã tornou a guerra insustentável para os EUA ao elevar custos, em meio a acordo de paz e plano de reconstrução de US$ 300 bilhões

Apoiadores do regime iraniano participam de manifestação contra os EUA e Israel em Teerã
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  • O acordo entre EUA e Irã prevê um plano de US$ 300 bilhões para reconstrução do Irã, em troca da reabertura do estreito de Hormuz e de novas negociações sobre o programa nuclear.
  • Analistas afirmam que as concessões americanas são mais significativas do que as feitas no acordo de 2015, assinado na gestão de Barack Obama.
  • O especialista Vinícius Mariano de Carvalho afirma que o Irã adotou uma estratégia de defesa de negação, elevando os custos para Washington e demonstrando capacidade de controlar Hormuz com drones e outros veículos não tripulados.
  • Segundo ele, a guerra no Irã pode ter desfecho favorável ao Irã do ponto de vista militar, mas sem depender de grandes plataformas navais para evitar ataques de drones.
  • Carvalho diz que, diante de pressões globais, o Brasil pode precisar escolher lados em futuros conflitos, mesmo mantendo a tradição de neutralidade.

Com o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, anunciado na semana passada e com os detalhes tornados públicos nesta quarta-feira, analistas avaliam que a estratégia iraniana elevou os custos do conflito para Washington. Segundo especialistas, Teerã apostou na defesa de negação para tornar a participação americana mais cara.

De acordo com Vinícius Mariano de Carvalho, professor do King’s College e pesquisador brasileiro, o Irã conseguiu demonstrar capacidade de sobreviver a ataques diretos dos EUA e passou a controlar o estreito de Hormuz. A estratégia de negação, explica, tem como objetivo tornar os ataques americanos menos vantajosos do que os custos provocados.

O acordo prevê a reabertura do estreito de Hormuz e um novo ciclo de negociações sobre o programa nuclear iraniano, em troca de um plano de reconstrução de até 300 bilhões de dólares para o Irã, com fim das sanções e liberação de ativos. Críticos sugerem que tais concessões superam as feitas no acordo de 2015, sob a administração de Obama.

Para o especialista, ainda é cedo para avaliar se o Irã sai fortalecido, dada a pressão interna no país. No entanto, ele aponta que o Irã mostrou capacidade de impactar a mobilidade naval da região com uso de drones e outras plataformas não tripuladas, reduzindo a dependência de grandes navios de guerra.

O professor ressalta que a defesa de negação elevou o custo dos ataques norte-americanos ao ponto de inviabilizar estratégias baseadas em uso maciço de força tradicional. O Irã, acrescenta, utilizou meios modernos que dificultam a vulnerabilidade de seus adversários sem depender de grandes plataformas.

Quanto à comparação com intervenções anteriores dos EUA no Oriente Médio, o analista aponta semelhanças com campanhas que, segundo ele, mostraram limitações frente adversários mais fracos. No Afeganistão, por exemplo, houve dificuldades em manter uma coalizão estável diante de perspectivas locais diversas.

Sobre o papel do Brasil, Carvalho observa que a diplomacia do país tende à neutralidade, mas guerras assim podem exigir posicionamentos. Ele afirma que choques globais envolvendo cadeias comerciais e de informação podem forçar o Brasil a se posicionar, ainda que de forma hesitante.

Perspectivas estratégicas

  • O Irã apresentou capacidade de manter operação militar com custos relativamente altos para os EUA.
  • A negociação envolve cadência de novas rodadas para avançar nas questões nucleares e de sanções.
  • O Brasil pode precisar definir posição diante de futuros desdobramentos regionais conforme evoluem as dinâmicas internacionais.

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