- Um navio-tanque da “shadow fleet” da Federação Russa entrou no canal da Mancha pela primeira vez desde a interceptação do Smyrtos, no início de domingo de manhã, segundo dados de rastreamento revisados pela BBC Verify.
- O Forwarder, com bandeira russa, saiu de Primorsk na semana passada e entrou no canal na quarta-feira à noite, com destino final indicado como Dongying, na China.
- Várias embarcações sancionadas abandonaram o uso do canal após a operação que interceptou o Smyrtos; dados de rastreamento indicam desvio de curso para evitar o estreito.
- A Marinha Real, segundo rastreamento, pode ter uma corveta HMS Tyne atuando próximo ao local do navio; o Forwarder foi sancionado em dois mil e vinte e cinco pela Grã-Bretanha, EUA e União Europeia.
- A BBC Verify ressaltou que o Forwarder, assim como outros navios da frota sombria, pode sustentar o fluxo de óleo russo sob sanções, com o incidente envolvendo o Smyrtos servindo de precedente para ações legais futuras.
O navio Forwarder, um tanque de bandeira russa, entrou no Canal da Mancha pela primeira vez desde que forças britânicas abordaram o Smyrtos no início de domingo, conforme dados de rastreamento de navios analisados pela BBC Verify. O trajeto foi registrado na medida em que o navio deixou o porto de Primorsk na semana passada e cruzou o canal na noite de quarta-feira, seguindo rumo ao porto de Dongying, na China.
A participação de Forwarder ocorre após portos sancionados associados à chamada “shadow fleet” terem evitado o Canal desde a interceptação do Smyrtos. Dados de rastreamento indicam que o navio mudou de rota para contornar a água, em meio a operações envolvendo autoridades britânicas. O Ministério da Defesa do Reino Unido foi consultado pela BBC Verify para comentar a situação.
Fontes de monitoramento sugerem que a Royal Navy estaria operando na área, com o destróier HMS Tyne próximo à localização do Forwarder. O cargueiro foi sancionado pelo Reino Unido, pelos Estados Unidos e pela União Europeia em 2025, sob acusações anteriores de contrabando de petróleo russo. Desde então, o Forwarder trocou de nome duas vezes.
A imagem de satélite mostrou o Forwarder deixando Primorsk em 12 de junho, após carregar petróleo na refinaria que é a maior da região do Mar Báltico e um importante polo de exportação da energia russa. Navios da shadow fleet, como o Forwarder, vêm sendo usados para manter o fluxo de óleo russo diante de sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia em 2022.
A frota clandestina de mais de 700 tanques, com propriedade frequentemente obscura, é apontada pelo Ministério da Defesa britânico como responsável por transportar cerca de 75% do petróleo russo sancionado. Em semanas recentes, autoridades da OTAN já haviam indicado que a fragata russa Admiral Grigorovich poderia estar escalada para escoltar carregadores sancionados, embora não haja confirmação de que esteja acompanhando o Forwarder.
A Admiral Grigorovich esteve envolvida em um incidente recente no qual disparou avisos de distância contra um iate britânico que se aproximava, segundo relatos da BBC Verify. Até a noite de quarta-feira, a oficial da OTAN afirmou que a fragata não havia se afastado significativamente do local do incidente.
Em março, o primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, afirmou que as forças britânicas poderiam abordar navios sancionados que passassem por águas britânicas, desde que não atuassem em conformidade com a lei internacional. Especialistas, no entanto, indicaram que é improvável que o Reino Unido ou a França tentem interceptar o Forwarder, dadas as circunstâncias e o risco de escalada.
O Smyrtos foi abordado por Marines Real e pela National Crime Agency, sob acusação de navegar sem bandeira registrada, violando leis internacionais. O navio permanece sob custódia de autoridades britânicas perto de Weymouth, e o capitão dele foi indiciado por violação de sanções.
Analistas destacam que, apesar de o Forwarder estar sob bandeira russa, não há evidências públicas de uma sinalização falsa. O episódio do Smyrtos ampliou o quadro legal para ações de abordagem, enquanto mudanças recentes de trajeto por parte de outras tankers sancionadas sugerem uma estratégia de evitar o Canal a partir de novos parâmetros operacionais.
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