- EUA e Irã retornarão às negociações na sexta-feira, na Suíça, após quatro meses de conflito, buscando um acordo de paz com prazo de sessenta dias, conforme memorando assinado pelos dois lados.
- O principal entrave é o programa nuclear: destino do urânio enriquecido próximo ao nível de bomba, possível moratória de enriquecimento e o desconhecimento sobre o nível de inspeção internacional aceito.
- Estreito de Ormuz: apesar da promessa de passagem livre de tarifas, o Irã quer manter papel na administração da rota, em coordenação com Omã, enquanto as empresas permanecem cautelosas.
- Sanções e recursos congelados: Teerã exige alívio imediato e desbloqueio de bilhões de dólares, enquanto os EUA defendem alívio gradual e condicionado ao cumprimento de compromissos.
- Outros fatores incluem a relação com Israel, Líbano e Hezbollah, dificuldades de alinhamento entre estilos de negociação e a possibilidade de o acordo definitivo não ser alcançado, com risko de entendimento limitado ou continuidade das negociações.
Ocorre na sexta-feira, na Suíça, a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, após quatro meses de conflito. O encontro visa avançar para um acordo de paz que encerre a guerra no Oriente Médio, ainda que haja grandes entraves. O pacto provisório adia as questões mais complexas para a segunda fase.
Analistas estão céticos quanto a um acordo definitivo em até 60 dias, prazo definido no memorando assinado por Washington e Teerã. O texto mantém em aberto pontos sensíveis, sem garantia de resolução rápida.
Programa nuclear
O destino do programa nuclear iraniano é a principal entrave. Washington pressiona pelo envio ou destruição do urânio enriquecido, enquanto Teerã prefere manter direitos de enriquecimento. Uma moratória de 5 a 20 anos foi discutida, mas ainda sem acordo.
Também está em jogo o nível de inspeção internacional previsto no acordo de 2015. O Irã não renuncia ao enriquecimento, e o tema segue como ponto sensível entre as partes.
Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, que ficou sob controle de facto do Irã, é outro tema sensível. A passagem cobraria tarifas reduzidas ou nula, conforme o memorando. O Irã busca manter coordenação na área com Omã, enquanto os EUA defendem livre passagem.
A reabertura da rota é crucial para o abastecimento mundial, mas continua com cautela de navegação por parte de empresas. A situação geopolítica permanece tensa.
Sanções e ativos congelados
O Irã exige suspensão rápida de sanções e liberação de ativos congelados. Os EUA defendem alívio gradual, condicionado a cumprir compromissos. O memorando autoriza venda de petróleo de forma imediata, gerando críticas de setores mais duros.
Trump pode hesitar em liberar recursos cedo. O acordo é comparado a iniciativas da era Obama, que liberaram parte dos recursos iranianos no passado.
Israel, Líbano e Hezbollah
O primeiro-ministro israelense, Netanyahu, disse que Israel não está vinculado ao acordo com o Irã e manterá ações contra o Hezbollah. O memorando prevê a prorrogação do cessar-fogo por 60 dias em diversas frentes, incluindo o Líbano.
Novas escaladas na região podem afetar as negociações, principalmente após ofensivas em Beirute e ataques entre Irã e Israel nos dias anteriores.
Estilos de negociação
A equipe americana, com o vice-presidente, o enviado e o genro de Trump, encara o Irã, que tende a negociações mais longas. Trump costuma exigir resultados rápidos, o que pode colidir com o estilo iraniano.
Mesmo com a confiança baixa entre os dois lados, Trump afirmou que a etapa atual seria mais fácil. A equipe dos EUA tende a carecer de técnica, frente a negociadores iranianos experientes.
Desconfiança
O Irã mantém ceticismo quanto a promessas de Trump, que já realizou ataques durante as negociações. A liderança iraniana pode exigir garantias fortes do aiatolá Khamenei para ceder.
Nos EUA, há cautela quanto a prometer ganhos rápidos ou transferências de recursos sem garantias verificáveis.
Outros riscos
Caso as divergências não se resolvam, pode surgir um acordo limitado ou uma prorrogação das negociações, sem impedir o retorno das hostilidades. O ambiente regional segue instável e de alta tensão.
A tensão econômica interna, como a alta nos preços da gasolina, aumenta a pressão sobre as decisões de ambos os lados. A situação é acompanhada com atenção por mercados e governos da região.
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