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Sundown towns: cidades dos EUA que restringem o acesso a moradores não-brancos

Mapa de cidades dos EUA com histórico de segregação racial cresce com relatos de visitantes e viralização no TikTok, nem todas comprovadas

Sundown towns: conheça cidades dos EUA que excluem pessoas não-brancas
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  • Séries de vídeos no TikTok destacam as sundown towns, cidades dos EUA marcadas pela segregação racial.
  • O conceito descreve locais onde pessoas não brancas não eram bem-vindas após o pôr do sol, com origem em placas de saída e práticas de exclusão.
  • Relatos virais incluem a experiência de uma dançarina e a tradução da psicóloga Mara Gomes, que ajudaram a popularizar o tema entre brasileiros, incluindo um episódio na Geórgia.
  • O mapa Sundown Towns Database, mantido pelo Tougaloo College a partir de pesquisas de James W. Loewen, funciona como ferramenta interativa por estados, com listas de cidades associadas à segregação.
  • O banco lista localidades já confirmadas, prováveis e em investigação; nem todas as cidades têm comprovação completa, e o portal incentiva contribuições para ampliar as evidências.

Pelo TikTok, vídeos sobre as sundown towns reacenderam o interesse público sobre cidades dos Estados Unidos marcadas pela segregação racial. Conteúdos divulgados pela psicóloga Mara Gomes chamaram a atenção de brasileiros e internautas, ampliando o debate sobre racismo estrutural e memória histórica.

As sundown towns são locais onde pessoas não brancas eram convidadas a deixar a cidade ao pôr do sol. O termo tem origem em placas que restringiam a permanência de pessoas de cor após o anoitecer. Historicamente, o conjunto de práticas manteve espaços brancos dominantes.

Em muitos casos, a segregação se expressava por meio de intimidação, ameaças e hostilidade social contra minorias. Além de negros, algumas cidades restringiam sino-americanos, judeus, mexicano-americanos, povos indígenas e mórmons. Nem todos os casos estão totalmente documentados.

Anna, Illinois, é citada como sundown town. Moradores locais dizem que a cidade tem nuances históricas que alimentam a lembrança de proibições raciais. O relato é utilizado para ilustrar o legado de exclusão em certas regiões.

O relato que viralizou no TikTok ganhou destaque com a dançarina @SpicyTarotTea. A psicóloga Mara Gomes traduziu a história, ajudando a popularizar o caso entre brasileiros e ampliando o debate sobre o tema.

Segundo o relato, a dupla foi convidada para uma festa em uma cidade da Geórgia, a cerca de duas horas de onde estavam. Ao chegar, perceberam um clima estranho e decidiram deixar o local.

Com pouca gasolina, as viajantes pararam em um posto fechado. Por volta das 4h, uma mulher branca se aproximou, questionando o que faziam ali e avisando para saírem rapidamente.

Ela afirmou que estavam em uma sundown town, dizendo que a maioria das pessoas não aceitava pessoas como elas e que já viu situações perigosas se repetirem. O episódio levou-as a deixar a cidade imediatamente.

Além desse relato, outros vídeos sobre sundown towns passaram a circular no TikTok. Nos comentários, internautas relataram experiências semelhantes, reforçando a percepção de que esse tipo de situação ocorre em algumas regiões dos EUA.

Mapa das sundown towns

O Sundown Towns Database, mantido pelo Tougaloo College, funciona como mapa interativo por estado. A base reúne cidades associadas à segregação racial a partir de pesquisas históricas de James W. Loewen, autor de Sundown Towns.

A plataforma permite clicar em cada região para acessar listas alfabéticas de cidades com esse histórico. Entre as localidades frequentemente citadas estão Anna (IL), Vidor (TX), Arab (AL) e Cicero (IL).

A lista também traz La Crosse (WI) e Mena (AR). Em La Crosse, por exemplo, houve resolução oficial em 2016 reconhecendo o passado segregacionista e o compromisso com o enfrentamento do legado. O portal orienta usuários a contribuir com documentos adicionais.

O banco de dados inclui localidades confirmadas, prováveis e ainda em investigação histórica. O site alerta que nem todas as cidades têm histórico totalmente comprovado e que a ausência não equivale à inexistência do passado discriminatório.

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