- Bishkek tem apagado parte de seu patrimônio arquitetônico soviético, com demolições de edifícios emblemáticos e também de áreas históricas como o hipódromo Ak Kula.
- O terreno do Ak Kula foi escolhido para um projeto de obra pública que abriga cerca de sessenta mil pessoas, com custo estimado em US$ três bilhões, substituindo a antiga infraestrutura.
- Entre as demolições estão a gráfica Erkin-Too (1931) e a Escola de Música Kurenkeev (1939), além de monumentos como o mosaico “Recepção de Convidados” e o baixo-relevo do Teatro Dramático Russo Aitmatov.
- Especialistas afirmam que a perda de traços do modernismo soviético e do estilo conhecido como “classicismo soviético” enfraquece a identidade da cidade, tornando-a mais padronizada.
- O governo tem promovido o que chama de Novo Quirguistão, com reformas culturais e arquitetônicas, incluindo mudanças na bandeira e a discussão sobre um novo hino; autoridades disseram que medidas sobre nomes de localidades soviéticos foram mal interpretadas.
Bishkek, capital do Quirguistão, vive um processo de apagamento de seu patrimônio arquitetônico da era soviética. Várias construções históricas já foram demolidas, enquanto novos empreendimentos comerciais ocupam os espaços deixados vazios. O debate sobre preservar ou não o legado tem ganhado força entre especialistas e moradores.
Entre as demolidas, o hipódromo Ak Kula, símbolo de encontro entre cidade e estepe, foi desocupado para receber um projeto que planeja abrigar 60 mil pessoas, com orçamento estimado em US$ 3 bilhões. A importância histórica do local é reconhecida por analistas, que apontam a perda de identidade urbana.
O que resta de Ak Kula inclui a entrada, edifícios administrativos e arquibancadas que, segundo críticos, poderiam ter sido incorporados ao novo conjunto. Em paralelo, o país já removeu outras estruturas de estilo classicista soviético, com impacto no tecido urbano de Bishkek.
Nos últimos cinco anos, ao menos nove edifícios históricos teriam sido derrubados, conforme estimativas de jornalistas e urbanistas. Entre as perdas estão a gráfica Erkin-Too, de 1931, e a Escola de Música Kurenkeev, de 1939, ambas sem recuperação de valor histórico, segundo autoridades culturais.
Especialistas destacam que a arquitetura de Bishkek ganhou expressão com o modernismo soviético adaptado ao contexto local, diferindo das “caixas soviéticas” comuns. A prefeitura e o governo defendem mudanças como parte do que chamam de Novo Quirguistão, associando-as ao crescimento econômico e ao turismo.
Alguns analistas defendem que a identidade urbana preservada funciona como ativo de longo prazo, contribuindo para a qualidade de vida e para o turismo. Outros alertam que a demolição de marcos históricos enfraquece a pluralidade cultural da cidade.
O debate sobre desovietização não aparece como política oficial única, segundo fontes próximas ao governo. Ainda assim, medidas recentes incluem mudanças simbólicas, como ajustes na bandeira e propostas de novo hino, além de mudanças de nomes em vilas com referências soviéticas.
Em Osh, cidade vizinha, houve a derrubada de uma estátua de Lenin, o que alimentou discussões sobre o ritmo de desmontagem da herança soviética. Porém, bairros com nomes históricos e o monumento central permanecem na capital, mantendo pontos de memória da era passada.
Analistas insistem que o futuro de Bishkek passa pela valorização de sua identidade arquitetônica, não pela padronização de edifícios provenientes de megaprojetos. A preservação de elementos singulares é apresentada como estratégia de longo prazo.
O debate envolve autoridades, arquiteto, historiadores e representantes da cultura. Enquanto parte da população apoia o desenvolvimento, outras vozes pedem salvaguarda de obras emblemáticas para manter o caráter único da cidade.
Entre na conversa da comunidade