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Bolívia decreta estado de emergência diante de protestos e bloqueios.

Bolívia declara estado de emergência nacional após seis semanas de protestos, mesmo com acordo com a COB; bloqueios persistem em regiões e há prazo de noventa dias

Reunião de líderes dos "Ponchos Vermelhos" para discutir o futuro dos protestos que já duram mais de seis semanas em Tilata, departamento de La Paz, Bolívia, em 18 de junho de 2026.
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  • O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou estado de emergência em todo o país, em 20 de junho de 2026.
  • A medida veio após mais de seis semanas de protestos e bloqueios de estradas e poucos hours depois de um acordo com a Central Operária Boliviana (COB) que suspendeu as mobilizações.
  • Mesmo com o acordo, parte dos manifestantes, incluindo camponeses e produtores de coca de Chapare, manteve os bloqueios.
  • O governo se comprometeu a não privatizar empresas estatais e abriu negociação com prazo de noventa dias; mais de cem pessoas foram presas desde o início da crise.
  • Paz afirmou que as medidas de pressão estão suspensas, mas ordenou o restabelecimento da circulação nas estradas e disse que quem persistir no bloqueio enfrentará o rigor da lei.

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou estado de emergência em todo o país neste sábado, após mais de seis semanas de protestos e bloqueios de estradas. Em pronunciamento televisivo, ele afirmou ter esgotado as vias de diálogo e indicado que medidas severas serão aplicadas para restabelecer a ordem.

A decisão ocorreu horas após acordo com a Central Operária Boliviana, COB, que suspendeu as mobilizações. Mesmo assim, outros setores mantiveram protestos em diferentes regiões, mantendo a tensão social e a pressão sobre o governo.

Paz explicou que a medida busca conter saídas violentas e desestabilização. O governo informou que forças de segurança devem garantir a circulação de pessoas e mercadorias, com resposta firme a bloqueios e ações violentas.

A crise se iniciou no começo de maio, com a COB cobrando soluções para a crise econômica, considerada a mais grave em décadas. Agricultores, operários e mineiros aderiram a manifestações contra propostas de reformas do governo de centro-direita.

O mandatário, que assumiu o poder em novembro, reconheceu negociação com sindicatos, mas observou resistência de alguns setores, especialmente produtores de coca da região de Chapare, ligado ao ex-presidente Evo Morales. Grupos camponeses reiteraram reivindicações.

O acordo com a COB traçou um prazo de 90 dias para avanços nas negociações, com a suspensão das medidas de pressão. O presidente da COB, Mario Argollow, afirmou que as negociações passam a ocorrer sob nova etapa.

Apesar do entendimento, parte dos manifestantes rejeitou o acordo. Antonio Mallku, líder camponês, confirmou a intensificação de bloqueios na região, citando sensação de traição entre os povos indígenas.

No momento, cerca de cinquenta bloqueios ainda estavam ativos. Paz ordenou o retorno imediato da circulação nas estradas e prometeu cumprir a lei com rigor contra quem mantiver protestos ou violência.

O governo também denunciou tentativa de golpe de Estado coordenada por “narcoterrorismo”, repetindo acusações contra Evo Morales, que nega envolvimento. Com AFP

Reivindicações

  • Governo comprometeu não privatizar estatais, um ponto central da pauta sindical.
  • Grupos de trabalho entre ministros e representantes sindicais devem tratar de outras demandas, incluindo detenções durante confrontos.
  • Provedor de Justiça aponta mais de cem presos desde o início da crise, índice que deverá ser acompanhado nas negociações.

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