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Choque de Ormuz envolve descarbonização e minerais da América do Sul

Fechamento do Estreito de Ormuz intensifica corrida por minerais críticos na América do Sul, destacando potencial estratégico e a necessidade de agregar valor local

O articulista afirma que a riqueza natural pode tornar-se tanto uma bênção quanto uma maldição; na imagem, usina de produção de lítio em Minas Gerais
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  • O fechamento do Estreito de Ormuz aumenta a importância global de supridores alternativos e acelera a demanda por minerais críticos, fortalecendo o caminho da descarbonização.
  • Chile e Peru juntos respondem por cerca de quarenta por cento da produção global de cobre e detêm cerca de trinta e cinco por cento das reservas mundiais.
  • O “triângulo do litio” (Argentina, Bolívia e Chile) concentra grande parte das reservas; no Chile, o valor das reservas ultrapassaria duzentos e dez por cento do PIB, e em Argentina seria por volta de cinquenta por cento do PIB.
  • Brasil figura entre os maiores detentores de terras-raras e nióbio, com reservas que equivalem a quase o dobro do PIB brasileiro; Guatemala e Colômbia aparecem como potenciais grandes produtoras de níquel.
  • O estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento ressalta a necessidade de ampliar o processamento e a cadeia de valor (midstream e downstream), não apenas extrair, e aponta o PlanGeo como ferramenta para transformar conhecimento em produtos de alto valor agregado.

O fechamento do Estreito de Ormuz e a guerra no Golfo Pérsico devem provocar mudanças duradouras no mercado global de energia e minerais. A elevação do prêmio de segurança energética tende a acelerar a descarbonização e a demanda por minerais críticos.

Paralelamente, governos devem ampliar reservas estratégicas de petróleo e gás, enquanto a volatilidade de preços de diesel industrial incentiva a eletrificação de setores como a mineração. O uso de energia renovável aumenta a demanda por terras raras e minerais de alto valor.

A América do Sul surge como player relevante nesse cenário. Dados do JPMorgan indicam que Chile e Peru respondem por cerca de 40% da produção global de cobre e 35% das reservas conhecidas. A região concentra também parte expressiva de lítio, níquel e terras-raras.

O relatório do BID sobre minerais críticos na região mapeia reservas importantes no Chile, no Peru, na Argentina, na Bolívia, no Brasil e na Colômbia. Os autores ressaltam que os valores estimados são ilustrativos e dependem de viabilidade técnica e regulatória.

No Brasil, a 2ª maior reserva de terras-raras do mundo contrasta com a dependência de importação de produtos processados. A produção nacional ainda exige avanços tecnológicos, investimentos em infraestrutura e políticas de agregação de valor.

O estudo aponta o papel do Plano Geo Brasil (PlanGeo) como ferramenta para ampliar o conhecimento geológico e a transformação de reservas em plantas de beneficiamento, patentes e produtos de alto valor agregado, indo além do upstream.

A China lidera o processamento de 19 dos 20 minerais estratégicos, com forte participação no mercado global. A ampliação de processamento global depende de políticas públicas para reduzir lacunas de industrialização no Brasil e na região.

A atual conjuntura reforça a necessidade de diversificação de cadeias de suprimento e de cooperação regional. A região pode explorar oportunidades de colaboração com EUA, China e Europa, desde que haja evolução na agregação de valor local.

Vários países sul-americanos já detêm reservas expressivas de cobre, manganês, nióbio e vanádio. Dados ilustram o potencial, mas a extração requer décadas de investimentos, licenças e tecnologia para transformar minério em produto final.

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