- A ordem mundial pós-Segunda Guerra é questionada, com líderes europeus reclamando mudanças nos EUA e tensões envolvendo Rússia e Gaza; chanceler alemão afirmou que a ordem não existe mais do jeito anterior.
- Analistas dizem que a era unipolar acabou e que um “mundo de lobos” pode prevalecer, onde a lei fica subordinada ao poder.
- As potências médias respondem de três formas: Japão reforça cooperação com os EUA, Europa trabalha para se fortalecer e manter o eixo com os EUA, e Canadá defende uma parceria entre potências médias.
- Surge a ideia de um novo marco de cooperação pragmática, inspirada na Declaração de Helsinque, com universalismo sem interferência e menos dependência de blocos.
- Desafios globais como mudanças climáticas, saúde e paz tornam mais difícil chegar a soluções comuns, exigindo cooperação entre potências médias e outras partes interessadas.
Na Europa, mudanças em normas e sistemas que vigoram há décadas são recebidas com cautela, mas há quem veja sinais de uma ordem mais inclusiva surgindo. O debate ganhou força após a guerra da Rússia contra a Ucrânia, críticas aos EUA durante o governo Trump e acusações sobre Gaza, que rearranjaram percepções sobre o que é possível no cenário internacional.
Durante a Conferência de Segurança de Munique, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que a ordem mundial pós-Segunda Guerra não existe mais da mesma forma, sinalizando um ponto de inflexão para a Europa. Enquanto isso, na Ásia, analistas ouvem dos europeus o choque de reconhecer mudanças em curso.
O ex-diplomata Bilahari Kausikan, de Singapura, comenta que a Europa subestimou a persistência da competição entre grandes potências e admite que a transição histórica foi prolongada, ultrapassando décadas de relativa estabilidade.
Marc Saxer, da Fundação Friedrich Ebert para a Ásia-Pacífico, afirma que o mundo vive o fim de uma era unipolar e que os EUA não retornarão ao papel de décadas anteriores, por razões estruturais. A visão dele aponta para uma distribuição de poder mais plural.
Segundo o analista, as relações internacionais devem abandonar a ideia de uma ordem imposta por potências dominantes. Thomas Kleine-Brockhoff, do DGAP, aponta que as ações dos EUA, da China e da Rússia comprometem o direito internacional e as instituições multilaterais.
Reações das potências médias
Kleine-Brockhoff descreve três caminhos possíveis, variando conforme a geografia. O Japão busca aprofundar cooperação com os EUA diante da proximidade com a China. A Europa trabalha para fortalecer economia e defesa, mantendo os EUA como parceiro durante a transição. Um terceiro modelo aparece na visão de líderes como Mark Carney, que propõem uma nova função para as potências médias.
Saxer enfatiza que países não ocidentais ganham protagonismo na formação da próxima ordem mundial, sinalizando que a era da dominância ocidental não será repetida. O desafio é evitar blocos fechados e favorecer parcerias estratégicas entre potências médias.
Rumo a uma ordem híbrida
Para que exista cooperação real, Saxer defende que as parcerias entre potências médias devem abranger Estados com diferentes sistemas políticos, buscando soluções comuns sem exigir alinhamento ideológico. Nesse cenário, a cooperação seria pragmática, com princípios inegociáveis, como os direitos humanos, sendo respeitados.
Kleine-Brockhoff é cauteloso quanto à estabilidade de um novo arranjo. Ele ressalta a necessidade de mecanismos de fiscalização e regras mínimas para evitar volatilidade e manter a credibilidade das instituições internacionais.
A discussão também aborda a possibilidade de reviver uma versão da Declaração de Helsinque, afastando a intervenção direta e priorizando a cooperação entre potências interessadas em temas comuns, como segurança e clima.
Em síntese, o panorama atual indica que a ordem liberal após a Segunda Guerra está em mudança, com potências médias buscando formas de cooperação que evitem blocos rígidos, ao mesmo tempo em que confrontam desafios globais como mudanças climáticas, pandemias e paz internacional.
Fontes consultadas incluem análises divulgadas pela DW, Deutsche Welle, com material de especialistas em relações internacionais sobre o tema.
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