- Lula busca dar tom mais político às negociações com a União Europeia para reverter o veto à importação de carne brasileira.
- Ursula von der Leyen afirmou não saber do veto durante encontro com o presidente no caminho à Cúpula do G7, surpreendendo o governo brasileiro.
- A UE anunciou restrições ao aço e ao óleo de soja exportados ao bloco, válidas a partir de 1º de julho, como parte de medidas ante o excedente global de produção.
- O governo brasileiro avalia que as decisões tiveram componente político e podem afetar a credibilidade das relações comerciais.
- Foi criado um canal direto entre o Itamaraty e a União Europeia para conduzir as negociações e tentar reverter as decisões.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende adotar um tom mais político nas negociações com a União Europeia para reverter o veto à importação de carne brasileira. A medida foi anunciada pela UE em meados de maio, deixando o Brasil fora da lista de países autorizados a exportar proteína para os veículos europeus.
Durante a Cúpula do G7, em território francês, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse não ter conhecimento sobre o veto, o que surpreendeu o governo brasileiro. O comportamento gerou expectativa de que a conversa com a UE ganhe contorno diplomático.
Interlocutores do governo explicam que Lula discutiu o tema com von der Leyen e busca, a partir de agora, uma condução mais política das tratativas. O objetivo é converter a regra sanitária em uma agenda de diálogo.
Restrição ao aço
A UE também anunciou restrições a aço e óleo de soja exportados ao bloco, válidas a partir de 1º de julho. As medidas não atingem apenas o Brasil e reduzem pela metade o volume de aço liberado sem tarifas, para 18,3 milhões de toneladas, com alíquota de 50% sobre o excedente.
O governo brasileiro avalia que a decisão, assim como a de carnes, possui componente político e pode impactar a credibilidade das relações comerciais entre Brasil e UE. A expectativa é de que haja engajamento para evitar danos maiores.
Tom político
A estratégia brasileira não contesta diretamente diretrizes sanitárias da UE, mas busca condução mais diplomática. A avaliação é de que apenas atuação técnica pode não render um acordo.
Desde o anúncio, integrantes do Itamaraty e do Ministério da Agricultura têm buscado caminhos para reverter as decisões. Foram prestados esclarecimentos às perguntas europeias sobre a produção de carne no Brasil, sem retorno imediato do bloco.
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