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Presidente boliviano declara estado de emergência

Presidente da Bolívia declara estado de emergência para liberar rodovias bloqueadas por semanas de protestos, gerando desabastecimento; Congresso tem 72 horas para aprovar

President Rodrigo Paz says weeks of protests have been used to destabilise the country
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  • O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou estado de emergência após semanas de protestos que exigem sua renúncia.
  • A medida amplia poderes para liberar as estradas bloqueadas por manifestantes, o que tem gerado falta de itens básicos e paralisado partes do país.
  • Segundo a lei, o Congresso deve aprovar ou rejeitar a declaração em até 72 horas.
  • Os bloqueios são liderados por mineiros, agricultores e grupos indígenas, que pedem reinstalação de subsídios a combustíveis e rollback de medidas de austeridade, além de mudanças constitucionais.
  • Paz disse que a crise é uma tentativa organizada de desestabilizar o país, e informou ter fechado acordo com a Confederação de Trabalhadores Bolivianos, embora alguns grupos indígenas afirmem que vão continuar a protestar.

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou nesta semana estado de emergência no país após semanas de protestos que exigem sua renúncia. A medida confere poderes ampliados para dissolver bloqueios de estradas causadores de graves faltas de itens básicos e paralisia de partes da nação. Paz afirmou que a intenção é liberar as vias e restaurar a normalidade.

Segundo o governo, o estado de emergência pode ser mantido até a decisão final do Congresso, que precisa aprovar ou rejeitar a medida em até 72 horas. Os bloqueios são liderados por mineiros, agricultores e grupos indígenas, que começaram no fim de abril para cobrar subsídios a combustíveis e mudança de políticas econômicas.

Desde o início dos protestos, houve mortes e centenas de prisões. Os manifestantes também pedem a reinstauração de subsídios e a revogação de medidas de austeridade, além de contestarem mudanças constitucionais propostas. Paz classifica o movimento como tentativa organizada de destabilização.

Paz informou ter chegado a um acordo com a principal central de trabalhadores, a Confederação de Trabalhadores da Bolívia. Mesmo assim, alguns grupos indígenas afirmaram que manterão as mobilizações, com bloqueios de estradas ainda ativos. Policiais e militares foram vistos em praças de várias cidades.

A crise energética tem agravado a escassez de combustível e de itens básicos em diversos estados. Os protestos, iniciados após propostas de reforma agrária criticadas por ampliar o poder de grandes proprietários, seguiram mesmo com o recuo do governo quanto à reforma.

Paz, de orientação centro-direita e eleito em outubro, afirma que as mudanças são necessárias para abrir a economia ao investimento privado. Manifestantes argumentam que as mudanças reduziriam a fiscalização de recursos naturais e de áreas econômicas estratégicas.

O presidente já havia promovido mudanças no gabinete, reduziu salários de integrantes do governo pela metade e criou um conselho de negociação com setores isolados. Apesar das ações, o objetivo de acalmar os ânimos ainda não foi alcançado.

No mês passado, o Congresso aprovou um projeto que facilitaria a declaração de estado de emergência pelo presidente e o emprego de forças de segurança para conter protestos.

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