- Abel Prieto, escritor cubano de 76 anos, ex-ministro da Cultura e atual presidente da Casa de las Américas, afirmou que Cuba jamais vai se render ao embargo dos Estados Unidos e participou, no Brasil, da conferência organizada pela Fundação Rosa Luxemburgo.
- O embargo, que já dura mais de sessenta anos, tem sido particularmente duro na atualidade, com impacto acentuado após a gestão de Donald Trump e a crise na Venezuela, incluindo um cerco energético que restringe a entrada de combustível.
- Houve entraves recentes para envio de petróleo a Cuba; um navio russo trouxe combustível há cerca de um mês, mas não houve novos abastecimentos desde então, gerando quase um colapso de serviços essenciais, como o transporte público.
- A energia continua precária: há longos períodos sem eletricidade em cidades, especialmente em Havana, onde há dias de poucas horas com energia; o país tenta, com refinamento de petróleo cubano, manter geração, mas isso não atende às necessidades.
- O turismo foi fortemente afetado: turismo europeu caiu com a suspensão de vistos de entrada para cubanos em território cubano, e cruzeiros voltados a turistas norte-americanos e europeus diminuíram; o governo teme impactos econômicos e sociais, incluindo no setor cultural e na medicina internacional que antes gerava receita.
Abel Prieto, cubano de 76 anos e ex-ministro da Cultura, afirma que Cuba jamais se renderá diante do embargo. Hoje presidente da Casa de las Américas, ele veio ao Brasil para a conferência Cidade de São Paulo, defendendo a soberania cubana diante da tensão econômica.
Prieto disse que o bloqueio dos EUA, em vigor há mais de seis décadas, se tornou “terrível” no atual cenário. O relato dele combina relatos de escassez, dificuldades de transporte e impactos na saúde pública com uma visão de resistência. A entrevista ocorreu durante a visita ao Brasil.
Em meio ao embargo
Ele explicou que, após a suspensão de importação de petróleo, a vida cotidiana ficou mais complexa: cidades sem energia por longos períodos e transporte restrito. “Se tivermos que morrer, morreremos”, afirmou, reforçando a postura de resistência.
Para explicar o cenário, Prieto citou a operação na Venezuela, o cerco energético e o reflexo no turismo, que depende de voos e cruzeiros. Segundo ele, apenas hotéis em Havana e Varadero resistem, e o setor enfrenta queda de receitas.
Energias e mobilidade
A energia elétrica hoje depende de refinamento de petróleo cubano, tecnologia local que busca manter o abastecimento. Mesmo assim, o país vive apagões prolongados e serviços públicos afetados. Prieto descreve uma população que se adapta: bicicletas, caminhadas e poucos carros.
O bloqueio também atinge remessas de cubanos no exterior, que precisam usar intermediários para enviar dinheiro. Em termos de cooperação médica, países têm reduzido a presença de médicos cubanos. Essas medidas ajudam a pressionar a economia.
Impactos no turismo e na cultura
Cruciais perdas recaem sobre o turismo, fonte de divisas. Cruzeiros e visitas de europeus diminuem, agravando o quadro de infraestrutura e cultura. Músicos e trabalhadores de hotéis enfrentam demissões, e sanções afetam a circulação de fãs e artistas.
Prieto lembrou que Cuba mantém diálogo aberto, não é país de guerra, mas pode defender a soberania com resistência caso seja necessária. A ideia é preservar a identidade revolucionária, sem abandonar o princípio da defesa nacional.
Rumo à cooperação e resistência
O líder cubano citou possibilidades de negociação em áreas de princípio, sem abrir mão do sistema socialista. Em sua visão, há espaço para acordos que beneficiem ambos os lados, inclusive na biotecnologia, sem ceder à soberania do país.
Em referência aos movimentos de oposição, Prieto destacou que o povo cubano já demonstrou firmeza diante de dificuldades. Ele aponta para estratégias de defesa popular, sem recorrer à violência, caso haja agressão externa.
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