- Em Westwood, Los Angeles, a região conhecida como Tehrangeles abriga uma das maiores comunidades iranianas fora do Irã, com símbolos pré-revolução e bandeiras antigas à vista.
- A menos de 15 quilômetros do estádio onde Irã enfrenta Bélgica, o debate entre torcer pela seleção ou boicotar ganha força entre iranianos da diáspora.
- Algumas vozes, como Roozbeh Farahanipour, não vão assistir aos jogos por discordarem do regime; outros, como Javad Yeganeh, defendem que o time não deve ser confundido com o governo.
- A FIFA proibiu símbolos políticos, e a antiga bandeira foi exibida pelos torcedores em apoio à oposição; Teerã ameaçou suspender a partida se protestos ocorrerem.
- Além da política, há divergências sobre o papel dos Estados Unidos no Irã, com moradores defendendo o time como identidade nacional, independentemente do regime.
Nas bandas de Westwood, Los Angeles, a diáspora iraniana se divide entre torcer pela seleção do Irã e boicotar, em contexto da Copa do Mundo. A região, conhecida como Tehrangeles, concentra uma das maiores comunidades iranianas fora do Irã, com lojas, padarias e sinais em farsi.
Entre os moradores, há quem defenda separar o time do governo e quem entenda que futebol não está desvinculado da política. A discussão ganhou contornos durante a madrugada de jogos, quando símbolos da antiga bandeira foram exibidos em estádios, em contramão às regras da competição.
Roozbeh Farahanipour, 54, é um dos nomes mais atuantes da oposição iraniana em Los Angeles. Ele chegou aos EUA em 2000, participou de protestos estudantis e hoje lidera uma voz crítica ao regime. Farahanipour não planeja assistir ao jogo descrito como confronto com a Bélgica.
Segundo Farahanipour, há uma divisão entre quem quer protestar publicamente e quem prefere apenas acompanhar a Copa. Ele reclama das restrições impostas à delegação iraniana na competição, mas afirma que a decisão de torcer ou não é pessoal e depende de cada espectador.
Entre outro grupo, Javad Yeganeh, 57, acredita que a seleção não deve ser associada ao governo. Ele acompanha as notícias com preocupação pela família no Irã e espera que o time tenha bom desempenho, citando o desejo de um resultado expressivo diante da Bélgica.
Mohammed Hafarn, 78, comerciante de Tehrangeles, mantém a defesa da torcida pela seleção iraniana, argumentando que o time representa a população e não o governo. Hafarn diz que aprecia os atletas individualmente e critica as medidas que limitam a participação da delegação no torneio.
A discussão também envolve símbolos. A antiga bandeira com sol e leão é adotada por parte da comunidade como marcador histórico, enquanto a versão atual é vista por outros como associada ao regime. A FIFA proibiu manifestações políticas nos estádios, e Teerã chegou a ameaçar suspender jogos caso haja protestos.
Entre visitantes da região, há relatos de emoções fortes por laços familiares mantidos no Irã. Uma moradora que pediu para não ser identificada recorda a juventude no país e diz que ama o Irã, mas não o regime, evitando entrevistas para não expor parentes.
Enquanto isso, a prática de torcer pela seleção é defendida por quem vê o time como símbolo do país no exterior. Um comerciante descreve que, mesmo com críticas ao governo, continua apoiando os jogadores, acreditando que eles representam o Irã no cenário internacional.
O debate em Tehrangeles ressalta que as posições são diversas e vão além do apoio ou boicote. A comunidade evidencia a complexa relação entre identidade, política e esportes em um território marcado pela presença iraniana e pela memória do Irã antes da Revolução de 1979.
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