- O Irã aceitou convidar de volta inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para retornar ao país, segundo o vice-presidente dos EUA, JD Vance, na Suíça, após negociações com os EUA e mediadores.
- A medida é responsabilizada como passo para a desnuclearização definitiva, com expectativa de avanços ainda nesta semana.
- A conversa de 18 horas ocorreu em um resort nos Alpes suíços e contou com a participação de uma delegação iraniana e autoridades de Paquistão e do Catar como mediadores; o Irã havia suspendido a cooperação após ataques em junho de 2025.
- EUA e Irã assinaram, na semana anterior, um memorando de entendimento para diluir o estoque de urânio altamente enriquecido, com 60 dias para discutir um mecanismo, sob supervisão da AIEA.
- O destino de mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido permanece incerto, e a situação de estoques continua sendo um ponto de tensão entre as partes.
O Irã aceitou convidar novamente inspetores da AIEA para retornarem ao país, segundo informações divulgadas pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, na segunda-feira (22) durante atividades na Suíça. A medida ocorre após negociações com os Estados Unidos voltadas a encaminhar o fim do conflito no Oriente Médio.
Ao comunicar a decisão, Vance afirmou que a medida representa um marco significativo para os Estados Unidos, além de apontar como passo inicial rumo à desnuclearização do Irã. Ele falou à imprensa antes de deixar a Suíça, após 18 horas de conversas em um resort nos Alpes suíços.
As negociações reuniram uma delegação iraniana e autoridades de alto escalão do Paquistão e do Catar, países que atuaram como mediadores. O Irã não confirmou oficialmente a notícia de forma imediata. Anteriormente, Teerã havia suspendido temporariamente a cooperação com a AIEA após ataques aéreos a instalações nucleares em junho de 2025.
Acesso dos inspetores e estoques de urânio
Desde então, os inspetores da AIEA não puderam visitar os locais afetados, deixando incerta a situação dos estoques de urânio altamente enriquecido do país. Contatos para visitas a outras instalações nucleares permaneceram abertos nos meses recentes, porém.
Na última semana, líderes dos EUA e do Irã assinaram informalmente um memorando que prevê a diluição do urânio altamente enriquecido em troca de alívio de sanções, com detalhes ainda a definir. O acordo prevê negociação de 60 dias para estruturar o mecanismo de redução.
Perspectivas e próximos passos
O documento reserva que os países discutam, sob supervisão da AIEA, um método de diluição local dos estoques de urânio com o objetivo de reduzir o grau de enriquecimento para menos de 5%. A ideia é impedir uso militar, já que a produção de armas exige cerca de 90% de enriquecimento.
O Irã nega intenções de fabricar armas nucleares, apesar de desconfianças de países ocidentais e de Israel. O destino de mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido permanece incerto desde a última visita dos inspetores da AIEA em junho de 2025.
Contexto diplomático e cenário econômico
A base para as tratativas foi descrita como sólida pelos EUA, com foco técnico nos próximos passos para encerrar o conflito regional. Enquanto isso, o tráfego no Estreito de Ormuz apresentou intensidade maior, segundo plataformas de monitoramento.
A expectativa é que um canal de comunicação entre as partes seja estabelecido para prevenir incidentes, assegurando a passagem de navios comerciais. Os mercados reagiram com alívio parcial, após quedas no petróleo, mas a cautela permaneceu.
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