- O relatório sobre a morte da menina Lyhanna aponta “sucessão de erros” no procedimento do caso e afirma que a cadeia de proteção falhou.
- O primeiro-ministro Sébastien Lecornu disse que o país precisa alterar a lei para permitir prisão perpétua a estupradores em série de crianças.
- O suspeito, Jérôme Barella (41), já havia sido denunciado nove meses antes pela menina Rosa (10), mas não foi preso nem interrogado.
- Rosa foi levada pela mãe a um hospital de Toulouse em agosto de 2025 após relatos de estupros atribuídos ao padrasto; o caso foi transferido para Auch, mas não teve prioridade.
- O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, ordenou revisar até 14 de julho 70 mil denúncias de agressão sexual contra menores, medida que resultou na prisão de 134 pessoas até o momento.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu divulgou um relatório sobre a morte de Lyhanna, apontando uma série de falhas na proteção à vítima na França. O documento, divulgado nesta segunda-feira, 22 de junho, afirma que houve uma sucessão de erros no procedimento do processo. Lyhanna foi encontrada morta em 4 de junho, em um silo agrícola perto de Fleurance, no sudoeste do país. Jérôme Barella, 41, pai de uma amiga da menina, foi preso. Ele já havia sido denunciado por pedofilia há nove meses, mas não havia sido detido nem interrogado.
Segundo o relatório, a mãe de Rosa, que denunciou abusos da menina de 10 anos atribuídos ao padrasto, levou a filha ao hospital de Toulouse em 18 de agosto de 2025. A denúncia descrevia cerca de cinquenta episódios. O caso foi transferido de Toulouse para Auch, onde vivia o principal suspeito, porém sem sinalização de urgência.
Na avaliação da Inspeção-Geral da Justiça, o caso em Auch não recebeu tratamento prioritário, mesmo com o perfil do suspeito. A mãe de Rosa só foi ouvida novamente em 14 de fevereiro, e nenhuma diligência substancial foi realizada após a transferência. Lecornu afirmou que a cadeia de proteção falhou, apesar de as primeiras diligências terem ocorrido de modo eficaz.
Contexto e consequências
O relatório provocou críticas à proteção de menores na França. Lecornu sinalizou a intenção de modificar a legislação para permitir prisão perpeta para estupradores em série de crianças, sem apresentar prazo para a medida.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, reiterou que pode propor sanções a magistrados caso haja confirmação de erros profissionais. Darmanin também ordenou a revisão de 70 mil denúncias de agressão sexual contra menores até 14 de julho, o que já resultou na prisão de 134 pessoas.
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